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The Deuce: Um Regresso que Já Sabe a Despedida

A Metropolis teve acesso antecipado da «The Deuce», da HBO Portugal, cuja terceira temporada tem estreia marcada para amanhã. Episódios são lançados semanalmente.

 

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A certa altura no episódio "The Camera Loves You", o primeiro da terceira e última temporada, Vincent (James Franco) sintetiza numa frase aquilo à que série veio: "O 'Deuce' é como uma barata. Estava aqui antes de nós, e vai continuar aqui muito depois de nós termos partido". Depois dos anos 70, «The Deuce» regressa em pleno final de '84. Um ano que marca, e muito, o universo da ficção científica, mas também o boom do home video e a adaptação da pornografia aos novos agentes em jogo.

 

Após Harvey Wasserman (David Krumholtz) ter visto nas cassetes VHS uma grande oportunidade de negócio, os clubes de vídeo e outros espaços especializados souberam aproveitar o crescimento e o acesso a câmaras e ao mercado generalizou-se. Onde antes estava o potencial, Harvey encontra agora a dificuldade de bater a concorrência perante a oposição de Candy (Maggie Gyllenhaal), que não quer ceder ao mainstream, aos filmes "amadores" e à menorização das mulheres para agradar ao público-alvo. Quem o faz com êxito é Frankie (James Franco).

 

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A série acompanhou as diferentes fases do "nascimento" da pornografia, e as personagens que ainda persistem no enredo vão-se adaptando, no seu nicho, às exigências dos tempos. É uma Times Square atribulada e marcada pela violência, pela ameaça do vírus da SIDA e pela incapacidade em combater o capitalismo. A análise apurada de Nova Iorque, da história americana e, em concreto, do mercado da pornografia continua sublime, bem sustentada por um argumento de mestre de George Pelecanos e David Simon. E chega ao nível seguinte com um elenco igualmente de luxo, em que Maggie Gyllenhaal tem o papel da sua vida. A não perder.