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Silicon Valley: o Guia da "User Data" Para Totós (Review)

Ainda não perceberam a dimensão (e o perigo) da recolha dos nossos dados na Internet? Antes de cair o pano, «Silicon Valley» ilustra o perigo de estarmos à venda. Tive acesso antecipado, pela METROPOLIS, aos três primeiros episódios da última temporada e o balanço é muito positivo.

 

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A metáfora de Richard Hendricks (Thomas Middleditch), no primeiro discurso idealista da última temporada, traça a missão da Internet descentralizada: assim como os europeus fugiram a reis e procuraram na América um mundo novo, também a sociedade tem agora a oportunidade de desafiar o monopólio do Google, Facebook e da Amazon Web Services. Apesar da eloquência (trémula), como acontece teimosamente com esta personagem, as suas frases têm pouco impacto na ação que se segue em «Silicon Valley».

 

A crítica apurada a Silicon Valley e à tecnologia que domina o pensamento empresarial – e, por conseguinte, o modo com as pessoas comuns estão ou não protegidas na Internet –, e tantas vezes a procura quase desumanizante pelo lucro, marca o discurso e os acontecimentos de «Silicon Valley», que regressou na madrugada de domingo para segunda, 28. Se é para dizer adeus, que seja com um bang, pelo que o arranque da sexta temporada deixa as expetativas em alta para os episódios finais da história imaginada por John Altschuler, Mike Judge e Dave Krinsky.

 

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Tudo parecia correr bem para a Pied Piper no final da quinta temporada, e o próprio arranque da temporada de despedida fazia antecipar um desfecho risonho, mas o mito é rapidamente desfeito por uma série de azares ao estilo que Richard Hendricks nos habituou. Com uma audiência no Congresso, ironicamente ao lado de Gavin Belson (Matt Ross), Richard assume novamente a sua faceta Mark Zuckerberg-iana e explora um tema atual e bastante problemático: a questão da user data. Ou seja, dos dados que são recolhidos dos utilizadores – sobretudo das plataformas mainstreame que são depois vendidos a patrocinadores. Embora desajeitado como sempre, Richard parece romper com os "monstros" da tecnologia e estudar uma solução para os internautas.

 

Mas nem tudo o que parece é, e «Silicon Valley» rapidamente muda o tabuleiro do jogo e inverte as expectativas geradas no primeiro episódio da temporada final. Apesar do longo percurso que fizeram até aqui, a vida continua a não ser fácil para Richard, Jared (Zach Woods), Dinesh (Kumail Nanjiani) e Gilfoyle (Martin Starr). Entre vinganças, tréguas e cortes aparentemente definitivos, a série explora as relações entre as personagens mais efusivamente do que nunca, ao mesmo tempo que coloca a Pied Piper entre a incerteza e o caos. Quase indiferentes a isto tudo, personagens menores como Jian Yang (Jimmy O. Yang) e Hoover (Chris Williams) mantêm-se como a melhor desculpa para momentos de comédia "inconsequente".

 

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Na série da HBO, aprendemos que toda a gente tem um preço. E até os momentos mais escabrosos podem revelar-se de sucesso pelo preço certo. A visão idealista de Richard tem escapado à tentação, mas a provação nunca foi tão forte como agora: e como se vão comportar Dinesh e Gilfoyle perante os desafios mais "milionários"? Monica (Amanda Crew) assume-se uma vez mais como o trunfo da narrativa, a par de uma inesperada contratação, que promete tirar Gilfoyle do sério.

 

Depois de cinco anos na antena do TVSéries, «Silicon Valley» regressa para se despedir do público português na sua "casa" original, a HBO. Os episódios são lançados semanalmente, na madrugada de domingo para segunda, ao mesmo tempo dos Estados Unidos.