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Penny Dreadful: City of Angels - Os Monstros que nos Sussurram ao Ouvido

HBO Portugal

Fiquem a saber a minha opinião sobre os primeiros três episódios de «Penny Dreadful: City of Angels», que estreou mais cedo do que o previsto e já tem o primeiro ep. disponível em HBO Portugal. Quase quatro anos depois do final de «Penny Dreadful», o seu criador regressa com um spin-off bem diferente da série que o precede.

 

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Vistos os três primeiros episódios do aguardado spin-off «Penny Dreadful: City of Angels», há duas indicações fortes do argumento em relação àquilo que podemos esperar da próxima aposta da Showtime, que em Portugal é exibida pela HBO. Por um lado, a série de John Logan não tem muito a ver com «Penny Dreadful», que focou personagens incontornáveis como Frankenstein, Drácula ou Dorian Gray, pelo que fica já o aviso que os fãs vão encontrar uma trama bem diferente. Por outro lado, isso não põe em causa a qualidade do spin-off, que promete bastante com o primeiro episódio e consolida a sua storyline nos que se seguem.

 

Penny Dreadful é uma referência aos folhetos baratos da Inglaterra Vitoriana – que custavam um "penny" –, e retratavam uma aventura violenta ou crime. Com a ação localizada em 1938, não há mais do que um eco da série de êxito de Logan, na "Cidade dos Anjos" – a segunda parte do nome –, Los Angeles. É certo que o sobrenatural continua a assumir um lugar de destaque, e agora é o crescimento do Evangelismo que se destaca (numa nova abordagem à religião), mas é difícil encontrar mais do que esta ligação conjetural. Mas será que uma série só tem qualidade quando corresponde às expetativas de quem a vai ver? Não necessariamente.

 

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Mudando o contexto, muda a abordagem. Avança-se no tempo e a “saga” de «Penny Dreaful» acompanha a dinâmica do tempo e do espaço. Adapta-se ao espírito mais sombrio depois dos “loucos anos 20”. Há a sombra da guerra, a ameaça europeia de Adolf Hitler, o crescimento do mercado por detrás do Evangelismo e a xenofobia instalada. Perante o caos, surge o demónio misterioso, interpretado por Natalie Dormer («Game of Thrones», «Elementary»).

 

"Vai chegar uma altura em que o mundo vai estar preparado para mim", profetiza a voz de Dormer na abertura. Não demoramos a perceber que esse momento chegou. Não há monstros inesperados a atuar nos bastidores – as pessoas já possuem a maldade dentro delas, só precisam de “sussurros”. E é aí que entra Dormer, assumindo diferentes personagens para influenciar várias áreas de LA.

 

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Na “Cidade dos Anjos”, a comunidade mexicana e as autoridades locais estão em choque (com o Nazismo em crescimento exponencial). Na linha da frente está Tiago Vega, um “chicano” que se torna polícia e é interpretado pelo promissor Daniel Zovatto de «Here and Now». No seu primeiro dia é chamado a analisar uma cena de crime: o homicídio de uma família de Beverly Hills de forma aparentemente ritualística, com ligação ao imaginário mexicano. Este é assumido desde o primeiro momento como um aspeto core da trama, que tem na Santa Muerte (Lorenza Izzo) o seu principal bastião. Todavia, desengane-se quem acha que esta vai ser uma luta do Bem contra o Mal. Para já, os humanos estão por sua conta perante a ameaça do diabo encarnado em Natalie Dormer. A Santa Muerte é uma figura apática e sombria.

 

No elenco reencontramos Rory Kinnear – a criatura de «Penny Dreadful» – agora um médico com ligações nazis, além de Nathan Lane como polícia judeu (procurando desmascarar a conspiração na cidade) e Adam Rodriguez, o irmão mais velho de Tiago.

 

 

Originalmente publicado na Metropolis

 

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