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Barry: Bill Hader Levado a Sério (e a Série)

A mais recente aposta da HBO, que chegou a Portugal pela mão do TVSéries, vem provar que Bill Hader é bem mais do que apenas um tipo com piada. «Barry», protagonizada e cocriada pelo polivalente ator, desenvolve-se a partir de uma premissa caricata mas, de uma forma ou de outra, consegue fazê-la resultar ao longo de oito (incríveis) episódios. Texto completo na Metropolis.

 

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Depois de Dexter, que se despediu do pequeno ecrã em 2013, há um novo assassino em série com um nome de duas sílabas pronto a fazer justiça… ou quase. Barry pouco ou nada tem a ver com a personagem vivida por Michael C. Hall durante oito temporadas, mas é na sua vontade de não ser realmente coisa nenhuma que se torna um digno sucessor da série da Showtime. «Barry», que estreou mundialmente na madrugada de 26 de março, oferece uma temporada inicial de oito episódios, mas vai deixar a audiência sedenta por mais (fica o aviso). A aposta da HBO, emitida pelo TVSéries, tem como criadores Bill Hader e Alec Berg, produtor de «Seinfeld», «Calma, Larry» e «Silicon Valley».

 

Barry Berkman (Bill Hader) é um antigo militar sedentário e deprimido que, graças à mentoria de Fuches (Stephen Root), passou a ganhar a vida como assassino contratado. Como se isso não bastasse, reside em Cleveland – piada recorrente nos Estados Unidos no que diz respeito aos piores sítios para morar, veja-se «Foi Assim Que Aconteceu» ou «Descarrilada» (2015) – e trabalha regularmente em sítios ainda mais desinteressantes. Sem o glamour ou a vertente elaborada (e macabra) de «Dexter», Barry despacha as suas missões com relativa rapidez e facilidade, acabando novamente fechado num quarto a jogar videojogos, até Fuches o chamar para mais um ajuste de contas.

 

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Sem uma épica história de origem, pelo menos para já, Barry é simplesmente um homem vulgar que aproveita os seus atributos de guerra para ganhar muito dinheiro – e dá-lo também a ganhar a Fuches, claro. A dupla vai funcionando com naturalidade, sobretudo porque o protagonista não se mostra interventivo (ou interessado em sê-lo), mas tudo muda quando tem de matar alguém em Los Angeles. O alvo é Ryan (Garrett Hedlund), o amante da mulher de Goran (Glenn Fleshler), o líder da máfia chechena na cidade. O trabalho não parece complicado, só que tudo muda quando Barry se deixa envolver no perigoso mundo do… teatro, onde um grupo de pessoas normais procura cumprir o sonho, sob a alçada do peculiar Cousineau (Henry Winkler). Ryan é um dos alunos e, inadvertidamente, Barry deixa-se levar pelo 'sonho' que, mesmo sendo de outros, acaba por lhe tocar a um nível mais profundo: o da vocação que nunca encontrou (e que alguém encontrou por ele). O problema é que tudo corre mal e Barry fica dividido entre a vida de (pseudo) ator e a vida do crime.

 

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Um dos momentos mais curiosos da temporada inicial de «Barry» é quando, a certa altura, uma das colegas de Barry Berkman – agora com o nome artístico Barry Block – o desafia a fazer uma peça de comédia com ela. Muito surpreendido, Barry sai-se com um "Comédia? Eu?". É que o seu ar pesado e série contraria, e muito, as personagens mais populares do ator que lhe dá vida. Quem conhece a carreira de Bill Hader sabe que esta é marcada pelo género cómico, desde o cinema aos sketches e vozes, passando, como não podia deixar de ser, pelo «Saturday Night Live», onde o ator regressou em março. No entanto, em «Barry», o humor é uma consequência da postura mais séria de Hader, e não algo tão óbvio como estamos habituados. Trata-se de um drama tão ousado e fora da caixa que, no final de contas, renasce como uma comédia de contornos mais negros.

 

(...)

 

À procura de propósito na sua vida, ou assim nos convence, Barry despede-se, como seria de esperar, em grande. O processo a que ele deu início logo no episódio piloto é contínuo e, como tal, precisa urgentemente de uma segunda temporada! Com o primeiro ramo da narrativa centrado nos criminosos chechenos, e por ação destes noutro grupo de mafiosos, há muito por descobrir com o aparente afastamento (ou não) de Barry deste núcleo. Contudo, já não é possível ignorar o outro lado da rotina do protagonista – a representação –, pelo que o seu medíocre sucesso abre as portas a uma nova carreira… Em que o antagonista principal vai ser a sua vida nas sombras, pelo que resta saber qual das duas vai levar a melhor.

 

 

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