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Androids & Demogorgons

TV KILLED THE CINEMA STAR

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Elementar: Bem-Vindos a Baker Street! Vai Ser Bom, Não Foi?

O final idealizado pelo criador Robert Doherty parecia apropriado: depois de confessar um crime que não cometeu, Sherlock Holmes (Jonny Lee Miller) é extraditado para Londres. E aí a série de televisão, situada na modernidade, encontrava o passado e a casa-mãe dos livros escritos por Arthur Conan Doyle. The end. O ‘problema’ é que a CBS decidiu dar mais episódios à sexta temporada e renovou «Elementar» para uma sétima, de 13 episódios, levando o autor a repensar tudo o que julgava encerrado e a reescrever o rumo das personagens que o acompanham desde 2012.

 

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Embora o desafio de Doherty pareça quase contranatura, uma espécie de vida depois do fim da vida de Sherlock e companhia, a verdade é que ele o resolve com naturalidade. Mas não deixa de ser algo poético ver um criador que tantas vezes ‘enganou’ o espectador e contrariou o óbvio, conseguindo sempre um twist mesmo quando tudo parecia resolvido, a ver as suas voltas também trocadas. Porém, nem com esta lição deixa de recorrer aos truques do costume e, chegados a Londres, onde Joan Watson (Lucy Liu) foi ter com o eterno parceiro, é como se não tivesse passado tempo algum. O ambiente pode ser totalmente diferente, pode ter passado um ano, mas as personagens mantêm os traços e os vícios que as caraterizam.

 

É difícil escrever sobre o regresso de «Elementar» sem levantar o véu sobre as escolhas de Doherty, mas não queremos estragar o primeiro episódio a quem ainda não o viu. Com esta limitação evidente, resta centrar a análise no imediato. Sherlock e Holmes colaboram com Athelney Jones (Tamsin Greig, «Episodes»), uma detetive durona que tem um sentimento quase antiamericano, recorrendo frequentemente a piadas contra Joan, a quem trata por ‘Doc’. No arranque da sétima temporada, a equipa tem de resolver o ataque a uma figura conhecida do mundo da moda, que é subitamente atacada com ácido no meio da rua.

 

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O ator Jonny Lee Miller tem uma carreira invejável, dos palcos ao cinema, mas ficará para já conhecido como o Sherlock mais duradouro, um feito que não será superado rapidamente. E até terá direito a dois finais, já que a sua personagem tinha a vida resolvida com a ida para Londres. Sem liberdade para voltar aos Estados Unidos, pois tal levaria a que fosse detido, resta saber se Sherlock mantém a sua tendência para quebrar regras, algo que começa logo no primeiro episódio com um gelado partilhado com o adorável filho de Kitty (Ophelia Lovibond), que já não víamos desde a quinta temporada. Atenção: os mimos para os espectadores não ficam por aqui.

 

Trata-se do fim de um ciclo bastante ousado na história da TV. É certo que Doherty transformou o clássico de suspense numa série mais moderna, bem mais próxima de tramas como «O Mentalista» ou «Castle», ainda que evitando o relacionamento romântico. Há amor entre as personagens, sim, mas, caso o autor não mude de ideias, não passará de platónico. Ainda assim, goste-se ou não de «Elementar», há que dar crédito a Doherty pelo risco que correu ao transportar Sherlock para os Estados Unidos e ao inverter o género de personagens bem conhecidas da literatura, como Watson ou Moriarty.

 

Texto originalmente publicado na Metropolis.

 

 

Chernobyl: Os Fantasmas do Passado Ainda Têm Força Para nos Atirar ao Chão

Com um sucesso estrondoso, «Chernobyl» subiu ao primeiro lugar do IMDb ao fim de apenas três episódios. É certo que todas as pontuações subjectivas têm uma importância relativa, mas a subida inesperada da minissérie ao topo das melhores séries de TV de sempre colocou-a no centro das atenções. Depois do final de «A Guerra dos Tronos», a HBO encontrou, ainda que temporariamente devido à sua curta duração, um novo êxito que tem conquistado a audiência, a crítica e a atenção dos media. A trama tem um total de cinco episódios, com o quarto a ficar disponível esta terça-feira.

 

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O que têm «Scary Movie 3 - Outro Susto de Filme» (2003), «A Ressaca - Parte II» (2011) e «Vigarista à Vista» (2013), três comédias de sucesso de Hollywood, em comum com «Chernobyl»? Acredite ou não, o argumentista do trio de filmes, Craig Mazin, é o criador responsável pela minissérie da HBO. Já o realizador Johan Renck é um nome mais associado a telediscos, mas tem estado envolvido em anos mais recentes na direção de séries como «Breaking Bad», «Vikings» ou «Bloodline». Currículos e origens à parte, a dupla combina de forma perfeita para criar a monstruosidade que é o drama histórico «Chernobyl».

 

O desastre nuclear de Chernobyl, em 1986, é um tema recorrente nas salas de aula, nos canais de documentários e até em conversas circunstanciais. A explosão que destruiu a Central Nuclear, devido a um teste que correu mal e que teve erro humano, é também escrita de pessoas que morreram na noite da tragédia, ou como ‘danos colaterais’ nos dias e nos anos seguintes, sendo imensurável o impacto que a toxicidade teve na região. A narrativa coloca no epicentro da discussão o real – ainda que ficcionado – Valery Legasov (Jared Harris), um químico proeminente na sua época, que foi chamado a analisar a catástrofe e viveu depois atormentado com o que viu e descobriu.

 

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Legasov terá gravado uma cassete antes da sua morte, onde abordava a conspiração por detrás de Chernobyl e a tentativa que houve de abafar a tragédia. É este o ponto de partida da minissérie, o áudio, seguindo-se uma viagem ao passado até ao momento imediatamente após a explosão, em abril de 86. Tendo na nossa posse, olhando do futuro, o conhecimento das consequências, torna-se doloroso assistir à desdramatização do desastre. Nikolai Fomin (Adrian Rawlins), o engenheiro-chefe da Central e apontado com um dos principais culpados, é um dos que se apresenta mais relaxados e em constante negação, desvalorizando as preocupações.

 

Esta ingenuidade estende-se a hierarquias superiores, no início, bem como à população que se aproxima da colina para poder observar o incêndio em toda a sua grandiosidade. Sabemos o que vai acontecer, a radioatividade e a sua força, o erro que é tamanha exposição aos químicos e a recusa de extrair toda a gente da cidade, mas a série retrata isso de forma sublime. Até no simbolismo. A fazer lembrar uma chuva de cinzas, os resíduos de Chernobyl vão-se alastrando pelas redondezas e caindo sobre os bombeiros e as pessoas que, à distância, apenas admiram o ‘espetáculo’ de luzes.

 

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O facto de sabermos o que se segue é um peso duro de levar às costas. De pouco importa se aquelas personagens não existiram, ou se as reais em que se inspiram não agiram exatamente assim: elas existem para servir a história, bem maior do que qualquer individualidade mas que, ainda assim, não quer descurar cada uma delas. Desenvolve-as, dá-lhes personalidade e complexidade, também para estabelecer uma maior empatia com a audiência. Não faltam elogios para «Chernobyl»; ser a melhor série de sempre ou não é discutível, mas a sua qualidade é algo que fala por si a cada episódio. Para abrilhantar ainda mais «Chernobyl», há um elenco de luxo, onde se destacam, além de Harris, Stellan Skarsgård, Emily Watson ou Donald Sumpter.

 

É quase impossível encontrar palavras para descrever o assombro que é «Chernobyl». O impacto com que cada queda, cada face vermelha e condenada pela toxicidade, cada descrédito do perigo e cada imponência nos atingem é avassalador. O público acompanha a narrativa consciente de muito do que nos espera, sem poder fazer nada, apenas testemunhando a estupidez (ou inocência) das escolhas e, posteriormente, os jogos políticos para conter o escândalo social e global do desastre de Chernobyl. Trata-se um murro certeiro no estômago, concretizado de modo sublime pela escrita do argumento e pela realização crua e próxima de Renk. Apesar da sua qualidade inegável, talvez fosse difícil ‘aguentar’ mais do que cinco episódios, tal a sua força.

 

Texto publicado também na Metropolis.

 

 

Catch-22: A Triste Comédia do Combate à Burocracia

A história de «Catch-22», a minissérie da Hulu que estreou recentemente na HBO Portugal, começa a escrever-se em 1953, oito anos depois do final da Segunda Guerra Mundial. Inspirado pelos ‘cacos’ deixados pela guerra, que tantas marcas deixaram na sociedade norte-americana, o autor Joseph Heller idealizou a trama satírica protagonizada pelo capitão Yossarian. O livro só viria a ser publicado em 1961, em plena Guerra do Vietname, traduzindo aquele que era o espírito dos jovens em relação ao conflito. Nove anos depois, com a guerra ainda a decorrer, Mike Nichols realizou um filme com base nessa mesma narrativa. No elenco, contavam-se atores épicos como Alan Arkin, Orson Welles ou Martin Balsam.

 

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Como tal, escrever sobre a série de 2019, que conta com George Clooney como tripla-ameaça – ator, produtor e realizador – não acarreta a mesma responsabilidade das obras que lhe deram origem. Os contextos são diferentes, bem como a forma como a informação flui mais facilmente e com alcance global, e há uma distância temporal e de análise em relação aos acontecimentos, ficcionais mais situados entre 1942 e 1944, que «Catch-22» retrata. Ao mesmo tempo memória, chamada de atenção e aviso, a série é uma comédia negra que resulta numa verdadeira lição histórica, humana e, sem papas na língua, critica o ambiente de guerra. E muitas ainda decorrem nos nossos dias, com maior ou menor visibilidade.

 

Para melhor entender a trama, devemos começar pelo nome. “Catch-22” é uma composição burocrática que resulta num entrave (aparentemente) imbatível por quem está na guerra, e que tem por inspiração as falhas no sistema que prejudicam quem está em posições mais baixas da hierarquia. Como nos é explicado no piloto, o médico só pode dar baixa a um militar ‘louco’ se este lhe pedir. No entanto, o ato de uma pessoa pedir para escapar a uma guerra, tendo por base o seu bem-estar próprio e a brutalidade da sua função, é, em si mesmo, uma atitude racional. Quem pedir a dispensa do combate por estes motivos, apelando à sua loucura, é uma pessoa lúcida e, consequentemente, não pode ser afastada por insanidade. É caso para dizer que o principal inimigo não se esconde nas trincheiras, mas sim no papel.

 

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O protagonista é Christopher Abbott, que brilhou há dois anos na primeira temporada de «A Pecadora», na pele do bombista aéreo Yossarian. A personagem optou por aquela função por acreditar que a guerra estava perto do fim e, como tal, o conflito terminaria antes de ele acabar o seu treino. Mas isso não sucedeu e o militar ficou a 25 missões de distância da liberdade. Yossarian verbaliza frequentemente a sua posição perante a Segunda Guerra, e os conflitos em geral, funcionando como uma espécie de comentador intra-narrativo (verbal ou expressivo), que vai dizendo de sua justiça o que pensa do que falam as outras personagens, nomeadamente Scheisskopf (George Clooney). Há reflexões sobre o comando, a religião e até o dever à Pátria, no tom de humor negro que carateriza «Catch-22».

 

Yossarian vai acumulando insatisfações, seja pelo ridículo das ‘paradas’ e exibições públicas, seja pela fragilidade da vida de quem assume uma guerra que não é a sua. Logo no piloto este sentimento sobe de tom, primeiro com a morte de um recém-chegado e depois com a explosão de um companheiro, ambas com alguma influência sua, de certa forma. Vai tentando apontar queixas que o considerem incapaz de servir, mas nunca acerta na jogada. A extensão das missões para 30 e a explicação da “Catch-22” são apenas mais dois golpes, bem duros, que demonstram onde está o poder. E, na reação, percebemos que o militar americano não olhará a meios para garantir o regresso a casa.

 

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Embora nos chegue num contexto político e social diferente de 1953, 1961 ou 1970, e não tenha certamente o mesmo impacto em norte-americanos e portugueses, a mensagem é transversal e global. Apesar do humor negro e do argumento ficcional, há uma realidade nua e crua à frente de quem assiste a esta irresistível minissérie. Numa altura em que muito se fala de «Chernobyl», e justamente, é também importante não esquecer ou deixar passar despercebida «Catch-22». Caso precisem de mais algum motivo, destaque para a presença do eterno "Dr. House" Hugh Laurie, que interpreta um líder caricatural e uma das personagens mais cómicas, e para Kyle Chandler, um ator tantas vezes subvalorizado e cujo nome na narrativa é irónico e expressa o seu papel de ‘armadilha’: Catchcart – separado resulta em algo como ‘dar carrinho’ ou ‘rasteira’.

 

Review publicada originalmente na Metropolis.

 

 

A Otília Viu «A Guerra dos Tronos» Pela Primeira Vez... na Series Finale

Elas existem. Nunca viram «A Guerra dos Tronos», pouco sabem além da presença de dragões e mortos-vivos, e todo o fenómeno da saga de George R.R. Martin lhes passou ao lado. Estas figuras misteriosas observam à distância, como os visitantes de um zoo que encaram uma espécie desconhecida e não têm a mínima curiosidade de se juntar à festa. A Otília é um desses casos. Já a pus a ver «Orphan Black», «The Good Place» e «Barry», entre outras, mas da série criada por David Benioff e D.B. Weiss ela não quer nem ouvir falar. Apesar disso, aceitou o meu desafio inusitado de ver 'à queima-roupa' o último episódio. O resultado é hilariante.

 

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A ideia era aparentemente simples: fazer a review de uma série que nunca vi. Para uma seriólica assumida como eu até seria aliciante, não fosse um pequeno pormenor: seria sobre o último episódio da malfadada «Game of Thrones»

 

 

Não vou pedir desculpa aos fãs pela minha falta de simpatia pela série, até porque me parece que por estes dias estão quase todos com vontade de espancar os argumentistas. O meu conhecimento sobre a série é literalmente nulo, ao ponto de, numa altura em que publiquei uma foto do meu filho vestido com um fato de inverno peludo com a legenda "Winter is coming", uma amiga comentar, muito admirada, que não sabia que eu via GOT. A minha reação foi "Oi? GOT? WTF is that?".

 

 

Depois de processar que mal teria eu feito à Sara para me fazer este convite, resignei-me, muni-me de uns docinhos para aguentar a hora e meia e… Here we go.

 

 

O episódio começa com um cenário de destruição avassalador e a minha primeira impressão até foi “que fotografia do caraças, até não começamos mal”. O sentimento durou uns minutos, até ouvir o primeiro nome de uma personagem, “Verme Cinzento”. Ainda pensei se me teria enganado e estava a ver o canal Panda, podia ser um dos amigos da Zebra Riscas e da Girafa Pintas… Mas não, alguém achou mesmo que Verme Cinzento seria um bom nome para uma personagem de uma série dramática. Thumbs up!

 

 

Segue-se o discurso empolgado da big boss lá do sítio aos seus súbditos (que raios de língua é esta?) e a consequente tensão entre esta e Jon (sim, consegui apanhar outro nome!) que depreendo já terem tido uma historiazinha romântica que por alguma razão muito forte teve que acabar (predictable much?). Para salvar o amigo que tinha traído a rainha, Jon decide matá-la, mas não sem antes lhe dar um último beijo para deixar os fãs a suspirar e, em troca, recebe a ira do animal de estimação da rainha, AKA dragão cuspidor de fogo.

 

 

Traição consumada, reúne-se o conselho de administração de condomínio para decidir o futuro do reino e um novo e inesperado rei é escolhido. Achei deliciosa a ironia do coitado que sugeriu uma votação democrática e foi ridicularizado por isso! O assassino da rainha, herói para uns e traidor para outros, é desterrado. E foi neste ponto que me emocionei, não porque fiquei com pena do rapaz, mas de felicidade porque achei que o episódio ia acabar. Mas não, seguem-se longos minutos onde nada parece acontecer... Mas, juro, não fechei os olhos, até porque estava com uma dúvida desde o início do episódio: onde estão os mortos-vivos? Se calhar a única coisa que achava saber (devo ter visto nalgum trailer) nem sequer é desta série…

 

 

Em resposta à Sara, que me disse “ainda vais ver a série toda depois disto”, só tenho uma coisa a dizer: AHAHAHAHAHAHAH!

 

 

Se Não For Pedir Muito, Façam Petições Sobre Isto Também

No momento em que publico este texto, 987 358 pessoas assinaram uma petição com um objetivo muito claro: que a oitava temporada de «A Guerra dos Tronos» seja refeita com novos argumentistas. Os fiéis seguidores da trama, que já há algum tempo se afastou dos livros de George R.R. Martin, não param de mostrar o seu descontentamento para com o rumo que David Benioff e D.B. Weiss deram à história. O episódio 5 parece ter esgotado de vez a paciência da fandom, que exige que o desfecho da série mais popular da atualidade seja reescrito. Se não estão a par com os episódios, o melhor é pararem de ler aqui.

 

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O boom das redes sociais veio alterar completamente a relação entre quem escreve as séries e quem as vê. Antes, escreviam-se cartas que talvez nunca chegassem ao destino, atualmente o acesso está muito mais facilitado e o seu impacto é mais audível. Quanto mais popular for a série, maior é a probabilidade de o queixume ser propagado pelos media. Exemplo disso é a atenção que se tem dado às críticas à última temporada, em particular à petição para esta ser refeita. O mesmo aconteceu com a suspeita de que Robert Pattinson seja o próximo a interpretar o Batman; a informação ainda está por confirmar e já há petições para que o ator seja afastado.

 

Resolvi apanhar boleia e apontar as coisas que gostava de ter visto em «A Guerra dos Tronos» e que, como não vi, acredito que merecem uma petição. Para os mais distraídos: sim, este texto não passa de uma ironia.

 

1. A presença de Lady Stoneheart

A versão zombie de Catelyn Stark (Michelle Fairley) foi uma das que foi 'cortada' na passagem dos livros para a TV. Depois do Red Wedding, esta não descansará enquanto não tiver a sua vingança.

 

2. O Jon a despedir-se como deve ser do Ghost

Confesso que o facto de o Jon (Kit Harrington) se despedir do Ghost com um olhar ou uma festa, não me faz qualquer diferença. No entanto, silenciaria as queixas que se têm ouvido a propósito disso e sobretudo o Diogo e a Juliana.

 

3. A morte de Cersei

Depois de tudo o que Cersei Lannister (Lena Headey) fez ao longo de oito temporadas, a sua morte pareceu demasiado 'boa' para alguém tão cruel.

 

4. O fan service de Jaime e Brienne

A relação intensa entre Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) e Brienne (Gwendoline Christie) parece ter sido mais para agradar os fãs do que a história. Acabou tão depressa como começou, e tudo para Jaime correu para os braços da irmã.

 

5. O Rickon correr em zigue-zague

Uma das mortes de que menos gostei foi a do Rickon (Art Parkinson), no episódio Battle of the Bastards. Continuo sem perceber porque é que ele correu em linha reta, em vez de tentar escapar a Ramsay Bolton (Iwan Rheon).

 

A Guerra dos Tronos: 10 Teorias que Ainda Podem Acontecer

Já perdi a conta ao número de teorias que li ao longo dos anos, no que diz respeito à popularíssima série «A Guerra dos Tronos». Uma das primeiras terá sido publicada ainda em 1997, pouco tempo depois do lançamento do livro de George R.R. Martin, e defendia que Jon era filho de Rhaegar e Lyanna. Multiplicam-se mais rapidamente do que coelhos, e muitas teorias são tão boas e convincentes que, quando não se confirmam, roçam a desilusão. A poucos dias do grande final, reuni 10 apostas que ainda podem virar realidade, por mais improváveis que pareçam ser.

 

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1. O Bran é o verdadeiro vilão de Westeros

Esta teoria assume diversas formas. O Night King era o bom da fita, tentando travar Bran (Isaac Hempstead Wright). Outros defendem que o Night King trocou de mente com o jovem Stark, o conseguiu "contaminar" ou passar a controlar. Enquanto alguns defendem que ele possuiu Daenerys (Emilia Clarke) e dizimou King's Landing. No entanto, esta última hipótese parece mais querer desculpabilizar a futura rainha. Ainda assim, este último palpite vai ao encontro daqueles que consideram a 'destruição' de Hodor (Kristian Nairn) um momento de enorme crueldade.

 

2. Arya vai matar Daenerys

And in that darkness, eyes staring back at me: brown eyes, blue eyes, green eyes. Eyes you'll shut forever. Melisandre (Carice van Houten) cruzou-se com Arya (Maisie Williams) duas vezes e, na segunda, a fan favourite saiu disparada e acabou por matar o Night King. Já há alguns anos que se acreditava que os olhos verdes se referiam a Cersei (Lena Headey), mas, como vimos no último episódio, tal não se confirmou. Sabem quem também tem olhos verdes? Daenerys, pois com certeza... E, após a Targaryen ter arrasado a capital, e de Arya ter testemunhado de perto a catástrofe, a vingança deve estar iminente.

 

3. O purpose de Jon Snow é matar Daenerys

Os fãs parecem determinados a 'matar' Daenerys, de uma maneira ou de outra, sendo que há várias teorias que defendem que será Jon a pôr fim à vida da Mad Queen. Esta teoria vai ao encontro do discurso de Melisandre, aquando da morte de Beric Dondarrion (Richard Dormer) a defender Arya. A feiticeira afirmou que ele tinha sido ressuscitado com um purpose, neste caso proteger a Stark para ela conseguir matar o Night King, o que suscita a dúvida por que foi Jon trazido de volta. Uma das possibilidades, que ganha cada vez mais força, é evitar novo reinado de terror.

 

4. Varys conseguiu envenenar Daenerys

Varys (Conleth Hill) foi morto pelo fogo pela sua traição a Daenerys, depois de saber que Jon é o herdeiro Targaryen ao trono. Em conversa com uma criança, Varys é informado de que Danny não tem comido e que, como tal, o seu plano ainda não resultou. Muitos fãs começaram logo a insinuar que o eterno parceiro de Tyrion (Peter Dinklage) estava a tentar assassinar a principal candidata ao trono. Entretanto, outras teorias apontam para os livros de George R.R. Martin, que mencionam um veneno específico, o Basilisk, capaz de levar uma pessoa... à loucura. A julgar pelo último episódio, Varys pode, afinal, ter sido bem-sucedido.

 

5. Os White Walkers vão voltar

A derrota de Night King e companhia não convenceu toda a gente, até pela velocidade com que os humanos despacharam o problema. Embora se diga que a preocupação de George R.R. Martin sempre foi a questão política do Trono, nem todos acreditam que tenha sido o fim dos mortos-vivos. Será que o exército dos mortos não foi totalmente batido? Haverá nova criação das trevas? Uma teoria aponta mesmo para a possibilidade, aparentemente irrisória, de Jon Snow se transformar no próximo Rei da Noite (ou ser transformado por Bran).

 

6. A profecia de Azor Ahai

Há cerca de duas décadas que esta profecia tem vindo a dar cabo da cabeça dos leitores de George R.R. Martin. O "Príncipe (ou Princesa) Que foi Prometido" terá a chave para salvar Westeros e foi procurado intensamente por Melisandre, que chegou a acreditar que este era Stannis Baratheon (Stephen Dillane). Embora mais recentemente as teorias apontem para Arya como salvadora da pátria, muitos ainda defendem que será a escolha mais óbvia, Jon Snow. Diz a profecia que o herói irá criar a arma derradeira com o sacríficio da mulher amada e assim vencer o Mal, algo que coloca também o foco em Jaime (Nikolaj Coster Waldau), que ninguém viu efetivamente morrer. E quando não se vê alguém morrer em «A Guerra dos Tronos»...

 

7. Há mais dragões

Drogon esteve desaparecido na quinta temporada, o que levantou suspeitas. Parte acredita que o dragão é, na verdade, uma fêmea e se terá reproduzido. Não é o certo o que isso implicaria para o desfecho da série, uma vez que ainda não se percebeu se os dragões obedecem apenas aos Targaryens (e aí Jon pode ter uma palavra a dizer) ou se serão a arma derradeira para a vitória de Danny.

 

8. Tyrion é um Targaryen

Os Lannisters estavam muito próximos do Mad King, sendo que não seria descabido apostar numa relação, consensual ou não, entre Aerys Targaryen e a mulher de Tywin (Charles Dance). Será que já não há margem para este palpite se confirmar? Ou que é uma das surpresas guardadas para o desenlace? A verdade é que, tal como Jon, Tyrion também nunca foi totalmente aceite pela família... Algo que, no seu caso, poderia apontar para o facto de não ser, efetivamente, irmão de Jaime e Cersei. Até agora, além de Tyrion, os dois que domaram os dragões eram Targaryen... Além disso, Bran esteve sozinho com Tyrion e pode ter-lhe contado segredos do passado.

 

9. Tyrion sabia o que ia acontecer, através de Bran

Pouco ou nada acontece por acaso em Westeros. Recentemente, Bran e Tyrion ficaram sozinhos numa sala e, tanto quanto nos foi dado a entender, conversaram durante algum tempo. Apesar de Bran não ver o futuro com a mesma clareza do presente ou do passado, o Three-Eyed Raven pode ter antecipado parte do que ia suceder, o que levou Tyrion a, desesperadamente, tentar que King's Landing se rendesse e Jaime salvasse Cersei da morte certa. O mais certo é que Bran lhe tenha dito qualquer coisa, resta saber sobre que tempo e qual as implicações para o destino da série.

 

10. Samwell Tarly está a contar a história

Será Sam (John Bradley-West) uma espécie de George R.R. Martin no centro da ação de Westeros? Devido à sua personalidade e ao background na Cidadela, há algum tempo que se suspeita que seja ele a contar os acontecimentos. Embora esse final me pareça demasiado 'cor de rosa', no sentido em que torna a visão de «A Guerra dos Tronos» mais romanceada, não seria de todo descabido.

 

Também têm palpites? Partilhem as vossas teorias e preferências nos comentários.

 

 

A Filipa Votou Night King e Explica-nos Porquê

A minha amiga Ana Rita disse, a propósito do penúltimo episódio de «Game of Thrones»: “A morte não escolhe momentos de apoteose, não espera por redenção, não se curva perante a rainha, o herói, o que quer que seja. Eles morrem de qualquer maneira e quando calha, porque a vida é mesmo assim”. E raios me partam se não foi a coisa mais bonita que já li até hoje. Se não têm os episódios em dia, não leiam este texto.

 

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Vejo «Game of Thrones» já com um certo desprendimento, porque não me lembro de metade do que se passou e, entretanto, mamei mais umas quantas séries pelo caminho. O meu mind palace tem capacidade limitada. Ou me lembro de quem disse o quê em que episódio de qual série ou de comprar ovos e detergente da loiça. Já não vou para nova. 

 

Sou uma miúda do inverno. Gosto de fresco, não gosto de frescuras. Com o frio, a produtividade no trabalho é mais alta, as noites são mais enroscadas, as reuniões de amigos mais íntimas, as séries melhores, tudo é mais confortável. À partida, prefiro logo o Norte, para lá da muralha. Porque também tenho alguns problemas com a autoridade e Governo… Além disso, gentes de Westeros, vocês têm assim tanto a que se agarrar? Já nem vou falar da população aka churrasco. Mas foquemo-nos nas principais famílias.

 

 

Daenerys, filha, nunca conheceste a tua família, os teus aliados e amigos morreram todos, ninguém gosta de ti em Westeros e o teu sobrinho não te quer comer porque é errado. Se eu percebi e aceitei isso quando os meus sobrinhos fizeram 18 anos (e são bem mais altos e bonitos do que o teu), também tens de engolir. Cresceste com o pior dos irmãos Targaryen, deram-te a casar a um gajo que fez de namorado da Pamela Anderson no «Baywatch». Dois tiros ao lado, e tinha-te saído o Tommy Lee, filha, vê lá tu. Em vez de dragões, tinhas clamídia e “uma grande patite vê”. E já só te sobra um dragão. Que no teu caso, são filhos. Pronto. Há filhos cães, gatos, aí não vou mexer porque é um assunto delicado.

 

 

Jon, minha rodinha 26, nunca pertenceste a lado nenhum. Afinal, és de uma linhagem mais fina que a dos Saxe Coburg Gotha e nunca to disseram. Ainda hoje, te curvas perante outros mais fracos de tu. E comeste a tua tia, olha, ao menos isso. Nem todos se podem gabar do mesmo. Quantas pessoas é que te restam? Fora as que te colocaram de lado porque eras bastardo. E essa vida na muralha, hã? Fortezinha. Desgraçado do rapaz.

 

 

Sansa, Arya, Bran, vou mencionar todos de uma vez, os Stark. A vossa família é daquelas onde nem a Segurança Social se quer meter. Até me custa enumerar os problemas todos. Não só porque me angustiam, mas porque sou má a Matemática a partir de um certo número. Culpo o Ned. Fossem os tomates dele da horta e não de um armazém bio qualquer, e os miúdos teriam melhor futuro.

 

 

Cersei, se não fosses de derrocada, ias de cirrose. Perdeste o teu pai, os teus filhos, só te restou o teu irmão. E vá lá que ele, como homem que é, não abriu a boca para dizer “Olha, além de ti, dormi com a tipa grande lá no Norte” antes de o entulho te atingir esse cérebro ébrio. Ao menos, foste em paz nesse sentido. Não há amor como o de irmãos.

 

Ou eu estou muito amargurada, ou a escrita desta temporada irritou-me, ou é a chegada do verão, do período, não sei. Mas vejo «Game of Thrones» muito negro e aborrecido. Daí o Night King. Trazer alguém da morte para que não viva parece um alívio tremendo. Andar ali, de boca (ou mandíbula exposta) aberta, sem pensamentos, parece melhor do que qualquer dos destinos dos personagens. À exceção do Bronn. Era menina para meter esse gajo no Trono. Só ele sabe viver. Uma não vida sem memórias ou pensamentos para estes desgraçados que sofreram do início ao fim.

 

Além disso, inverno sempre. Sem trânsito ao pé do mar. Sem pedicures de gel rosa fúschia em “sendália” de brilhos, autobronzeadores, putos ranhosos na areia, incêndios, sunsets caríssimos e música lounge. Só com sundaes.

 

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Slogan: Sem merdas. Night King. Por uma Westeros sem merdas.

 

Não Podem Perder «Dead to Me», Mas Não Posso Dizer Porquê

«Dead to Me» é comédia, mas também é drama; é mistério, mas tem muita ação. E, melhor do que tudo, apresenta Christina Applegate e Linda Cardellini na máxima força. Depois de «After Life», de Ricky Gervais, a Netflix aposta em mais uma série que aborda o luto de maneira original. Embora a premissa assente em esquemas narrativos que já vimos antes, as personagens centrais entregam-lhe a dinâmica necessária para agarrar o espectador ao pequeno ecrã.

 

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Quando tento explicar às pessoas porque devem ver «Dead to Me», cuja primeira temporada está disponível na Netflix desde o dia 3 de maio, sinto um déjà vu. Assim como em «This is Us», tenho a tarefa ingrata de escrever sobre uma série sem contar o seu truque, ainda que este não demore a ser identificado. É que antecipar a revelação, que acontece sobretudo em dois momentos, tira grande parte da piada à trama protagonizada por Christina Applegate e Linda Cardellini. Felizmente, nem só de twists vive o original da Netflix que, antes de mostrar ao que vem, consolida a narrativa e organiza-a em camadas, sem receio de tornar mais elaborado um universo que poderia ser mais simples. E a série ganha com isso.

 

"Grief does some weird shit to people", o desabafo de Jen (Applegate) acerta-nos como uma seta no segundo episódio de «Dead to Me». Esta é provavelmente a frase que melhor resume a história do original criado por Liz Feldman, que volta a tentar a sorte depois do fracasso de «One Big Happy». A recém-viúva Jen junta-se a um grupo que visa apoiar pessoas que passaram por situações idênticas de perda, e é lá que conhece a extrovertida Judy (Cardellini), que também viu o noivo partir cedo demais. Entre muita comédia e algum drama, «Dead to Me» vai fortalecendo aquele que será o seu principal núcleo, Jen e Judy, com o sofrimento a aproximá-las na partilha e na redescoberta das coisas simples da vida, como uma boa série ou um passeio sem destino. Até que Steven (James Marsden) entra em jogo. E, perdoem-me, aqui vou ter de abrir um pouco o jogo.

 

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Steven é o noivo de Judy, vivinho da silva, mas que supostamente tinha morrido. Este é um momento «Clube de Combate» (1999), com uma personagem a frequentar grupos de apoio onde não se enquadra, assim como acontecia no filme com Helena Bonham Carter. O conflito resolve-se facilmente, atingindo o seu ponto alto com Jen num momento público de fúria, onde desmascara a nova amiga. Apesar do ritmo apressado, as mudanças de humor são coerentes em «Dead to Me», sendo que tudo o que toca o seu expoente máximo tem depois de descer, resultando numa espécie de série bipolar. Jen faz meditação ao som de metal, os vizinhos tentam consolá-la com receitas inventivas, há uma obsessão da viúva em descobrir quem atropelou fatalmente o marido, as relações precipitam-se, a revolta perante as forças da autoridade também e o resultado é um caos organizado que agarra o espectador do princípio ao fim.

 

Christina Applegate e Linda Cardellini não são meramente o instrumento que consolida a ação, mas também as vozes da mensagem que Liz Feldman quer passar. Há, por exemplo, um momento em que Jen critica a 'colagem' da mulher à loucura, quando o sexo feminino se mostra incapaz de gerir a imensidão de emoções que sente e é assim conotoda pelo homem. A mesma frontalidade é aplicada na hora de verbalizar a dor, cuja discussão é explorada não apenas entre adultos, mas também com os filhos menores, que lidam com a morte do pai de formas diferentes. O comportamento de Jen não encaixa no padrão social de mulher bem comportada e de poucas 'ondas', indo ao encontro até da personagem de Ricky Gervais em «After Life», o que torna a sua personagem uma das figuras femininas mais interessantes da história recente da televisão.