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TV KILLED THE CINEMA STAR

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«PEN15»: Esta Comédia é um Assunto Sério

A mais recente aposta do TV Séries é uma 'falsa' comédia, bem diferente daquilo a que estamos habituados. Tudo em «PEN15» roça o ridículo – mas não necessariamente no mau sentido. A série é da autoria de Maya Erskine, Anna Konkle e Sam Zvibleman, com as duas primeiras a protagonizarem esta trama da Hulu, que estreou recentemente no canal TV Séries. Até aqui tudo bem, não fosse esta uma série sobre alunos do 7º ano... protagonizada por duas atrizes na casa dos 30. Publicado originalmente aqui.

 

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É certo que não é a primeira vez que atores mais velhos se fazem passar por estudantes de liceu, veja-se o que acontecia em «Glee» ou «Morangos com Açúcar», mas ter duas adultas no meio de um elenco juvenil acaba por tornar a diferença demasiado evidente. Esta decisão não agradará certamente a todos, sobretudo quando a dupla objetifica os rapazes da turma, algo próprio da adolescência; mas, se formos pragmáticos, são duas mulheres adultas a 'babar' por jovens com metade da sua idade. Algo que, não sendo objetivamente errado, porque são desabafos para já inconsequentes, não deixa de provocar algum 'desconforto'.



Constrói-se como uma comédia-caricatura, é certo, muito apoiada no exagero da ação, mas «PEN15» é uma série que quer colocar a audiência a falar sobre assuntos muito sérios. Já vimos muitas séries sobre bullying, mas poucas terão a audácia de ir até onde esta série vai.

 

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Maya e Anna – as personagens partilham o nome com as atrizes – são duas adolescentes à procura do primeiro amor. Perante o início de um novo ano letivo, ambas estão entusiasmadas e apostadas em passar pelos momentos mais marcantes desta fase juntas. Entre os arrufos próprios entre adolescentes, por vezes mais extremados, tudo parece decorrer com a normalidade esperada, até Maya ser considerada pelos pares a miúda mais feia da escola. Esta premiação cruel, histórica no estabelecimento de ensino e que leva ao bullying coletivo, revela uma atitude brutal mas também honesta. O argumento está organizado de uma forma tão consistente, goste-se ou não da opção pelas protagonistas, que o primeiro episódio é um verdadeiro murro no estômago do espectador. E o bullying é um problema em camadas, onde a empatia com a vítima 'embate', por vezes, nas suas escolhas.



«PEN15» não é uma série para toda a gente. E não há problema nenhum nisso. As opções de estilo dos criadores são duvidosas, demasiado arriscadas, e parte da audiência ficará pelo caminho logo aí. No entanto, quem ficar depois desse choque inicial, prepara-se para algo maior do que a ficção ou a comédia aparente. Esta não é uma caricatura que apenas faz rir, fácil e de reações imediatas e efémeras. A mensagem passa e fica connosco, não apenas durante o episódio, mas também depois. O exagero é descabido a espaços, mas tem um fundo de verdade inescapável, que dirá muito certamente a pais e encarregados de educação, por vezes desconhecedores da realidade mais cruel das escolas.

 

 

As Melhores Séries Para Ver em Família

De regresso a casa para umas mini-férias de Páscoa, vi-me invadida por uma crise existencial bastante pertinente: quais as melhores séries para ver em família? Seja pontualmente ou de forma mais regular, um serão com aqueles de quem mais gostamos pode ser um bom momento para descobrir novos horizontes... e novas séries. A questão esfumou-se rapidamente quando tive de trabalhar e deixei de ter tempo para maratonas, mas, para resolver este dilema definitivamente, preparei um top 12 de séries para ver em família.

 

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1986, RTP

 

Foi Assim que Aconteceu, FOX Comedy

 

One Day at a Time, Netflix

 

Rick and Morty, Netflix

 

Stranger Things, Netflix

 

The Crown, Netflix

 

The Good Doctor, AXN

 

This is Us, FOX Life

 

Uma Família Muito Moderna, FOX Comedy

 

Young Sheldon, AXN White

 

 

A Guerra dos Tronos: O Inverno Só Agora Está a Começar (Review)

A série mais popular da atualidade regressou na madrugada de segunda-feira, 15, pela primeira vez com estreia em simultâneo com os Estados Unidos. Falha da HBO Portugal acabou por marcar o rescaldo do episódio.

 

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Depois de uma ausência de 595 dias, «A Guerra dos Tronos» voltou para a temporada de despedida. No entanto, a festa acabou por ser abalada por um atraso de 70 minutos da HBO Portugal, que não disponibilizou o episódio à hora anunciada (às duas da manhã); já o Syfy cumpriu e exibiu o episódio legendado ao mesmo tempo que este dava nos Estados Unidos. Embora se tenha tratado de uma falha da HBO em vários pontos do globo, a incidência dos meios de comunicação portugueses no erro do serviço de streaming desviou bastante as atenções do primeiro episódio da oitava temporada. Não há dúvidas: a 'guerra' está aberta – e não falamos apenas do pequeno ecrã –, sendo que a HBO e o Syfy disputam acerrimamente as audiências, com o segundo a vencer o primeiro round.

 

O fenómeno de «A Guerra dos Tronos» é incrível. A tal ponto que, mais uma vez, a HBO não foi capaz de 'aguentar' a procura e o serviço acabou por ir abaixo. Nem mesmo o facto de o problema já ter acontecido em 2017 serviu de lição. Para a semana, há novo episódio ao mesmo tempo que nos Estados Unidos, às duas horas de segunda-feira, tanto na HBO Portugal como no Syfy. Enquanto o serviço de streaming disponibiliza o episódio de forma definitiva, o Syfy não tem direitos para gravação e rewind – atribuídos pela HBO-mãe –, algo que foi contornado na NOS pelo videoclube e noutras operadoras pelas aplicações móveis. Para quem não quer perder uma boa noite de sono ou improvisar durante o dia, e se conseguir sobreviver aos spoilers que invadem tradicionalmente a Internet, o Syfy repete o episódio todas as segundas-feiras às 22h15.

 

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Inverno sem temporal: teorias e outras considerações

 

O primeiro episódio da oitava e última temporada passou quase despercebido em termos de acontecimentos relevantes, mas não tenho qualquer dúvida que, após a series finale, o vamos ver com outros olhos. A forma como Bran (Isaac Hempstead Wright) observa Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), por exemplo, pode revelar-se determinante. Como o mais novo dos Stark afirmou, ele já não é Bran, mas sim o Three-Eyed Raven, não se tratando portanto de uma reação emocional ao que Jaime lhe fez no arranque da trama, quando o miúdo o apanhou a fazer sexo com a irmã Cersei (Lena Headey), e tudo o que isso despoletou. Bran terá visto, em vez disso, algo do passado ou futuro do Lannister que o perturbou de alguma forma.

 

Também podemos referir o discurso de Arya (Maisie Williams) a Jon Snow (Kit Harrington) sobre Sansa (Sophie Turner). Anteriormente sempre às 'cabeçadas' com a irmã, a lady que virou assassina defendeu que Sansa era, talvez, a pessoa mais inteligente que conhecia. Os paralelismos de «A Guerra dos Tronos», saga imaginada por George R.R. Martin, com a história do Reino Unido leva muitos a apostar na presença de Sansa no Trono de Ferro no fim da série, numa associação a Isabel I e Isabel II. Por sua vez, e no campo das suspeitas, se Arya não aparecer simultaneamente com outra personagem, no mesmo espaço e em diferentes cenas, irei sempre desconfiar que ela poderá ter matado essa personagem e assumido a sua cara. A jovem encomendou ainda uma arma específica a Gendry (Joe Dempsie), que também está de regresso, pelo que resta perceber o que vem daí.

 

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Não há dúvidas de que Arya tem potencial para assumir ainda maior destaque na última temporada, sendo que há muito espaço para surpresas. Resta, por exemplo, saber se será ela a matar Cersei. Que a atual rainha morre é praticamente uma certeza, já que a profecia rezava que ela teria três filhos, ia ver todos morrer, e depois morreria às mãos daquele que se pensou, na altura, ser o irmão mais novo. Se Tyrion (Peter Dinklage) se revelar um Targaryen, como muitas teorias apontam, as atenções ficam postas em Jaime – mas não poderá Arya matá-lo e assumir mais tarde a sua figura? Ou terá a profecia um significado mais profundo?

 

“Winterfell”, o episódio inicial da temporada 8, é sobretudo de contexto. E só tem a ganhar com isso. Os criadores David Benioff e D.B. Weiss organizam o jogo pela última vez, contextualizando o inverno que se avizinha e, qual jogo de xadrez, colocam as peças no local onde pertencem, com a Armada dos Mortos a assumir já algumas jogadas contundentes. Os argumentistas optaram, e ainda bem, por colocar desde já Jon com o mesmo conhecimento do público, ao ouvir de Sam Tarly (John Bradley) que é o herdeiro ao Trono de Ferro. Embora o romance com a tia possa chocar, a verdade é que os Targaryen sempre foram conhecidos por relações incestuosas, pelo que não é desde logo garantido um ponto final no casal-sensação da série. Deverá ser, ainda assim, uma questão de poder: Daenerys (Emilia Clarke) abdicou de demasiadas coisas, perdeu e lutou muito, para agora desistir de ser rainha dos Sete Reinos.

 

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Conhecido como a personagem que "não sabe nada", Jon Snow pode ser agora uma figura honesta, e colocar logo Danny a par do que sabe, ou ser estratega com pés e cabeça pela primeira vez, ou simplesmente evitar distrações. O filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, que sempre viveu como bastardo, encontra-se numa posição que desconhece e, perante a aproximação rápida do Rei da Noite, não deverá querer dispersar as atenções da grande luta. Por sua vez, montou um dragão e, se a teoria de que apenas os Targaryen o podem fazer não está confirmada, pode acontecer que os dois se tenham ligado e, ironicamente, Rhaegar obedeça a Jon. Também Jaime, que assassinou o pai de Danny e avô de Jon, é recebido com desconfiança mas, em hora de necessidade, este conflito deverá ser deixado para mais tarde. Já Tyrion continua a ser uma personagem-mistério, que a qualquer momento poderá denunciar a sua verdadeira face e, então, tudo aquilo a que assistimos nas últimas temporadas ganhará outro sentido.

 

Contas feitas, o regresso de «A Guerra dos Tronos» não foi memorável. Sem mortes chocantes ou revelações surpreendentes, o episódio de arranque cumpriu o seu propósito como catalisador da narrativa que, a partir do terceiro capítulo, deverá disparar a alta velocidade. É também nessa altura que os episódios começam a ter uma duração maior, na casa da 1h20, com a ação a ter o ponto final derradeiro no dia 19 de maio. No entanto, não desesperem: em breve começam as prequelas e, perante o sucesso de «A Guerra dos Tronos», não deveremos ter de esperar muito por mais séries. A dúvida é se George R.R. Martin consegue acabar a saga literária entretanto. E quantas personagens morrem até ao final da temporada. Conselho: se estiverem à espera que todos morram, qualquer sobrevivente é motivo de festa.

 

 

Texto originalmente publicado na Metropolis.

10 Dicas Para Sobreviver à Última Temporada de «A Guerra dos Tronos»

Foram 595 dias sem «A Guerra dos Tronos», desde a season finale da temporada 7, em agosto de 2017. A espera foi longa, mas a oitava temporada chegou finalmente e, às 2 da manhã (hora portuguesa), a saga imaginada por George R.R. Martin começa a escrever o seu fim... pelo menos na TV. Tendo em conta o número de óbitos por temporada e o pico de emoção perante o desfecho da série mais popular de sempre, a carga promete ser pesada para os fãs de «A Guerra dos Tronos». Como tal, fiquem com 10 dicas para sobreviver à última temporada... Algo que as vossas personagens favoritas dificilmente vão conseguir.

 

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1. Ler os livros do George R.R. Martin ao mesmo tempo que assistes à série. Não todos, claro, que isso é uma tarefa impossível, a não ser que não faças mais nada além disso. Não só encontrarás facilmente outras coisas que te chateiem, nomeadamente as alterações feitas do papel para o ecrã, como te vais indignar com a demora na publicação do próximo livro. Como side effects, provavelmente vais tornar-te uma daquelas pessoas chatas que compara tudo com o livro e defende que o que George R.R. Martin escreve é que é bom.

 

2. Mostra a tua revolta nas redes sociais e nos fóruns de discussão da série. Os teus amigos e familiares agradecem e, além disso, há vantagens para ti. Não tens limites nem filtro para manifestares o teu descontentamento – se fores banido de um sítio basta mudares-te para outro lado –, e irás encontrar mais pessoas inconformadas como tu. Hoje em dia encontra-se de tudo na Internet, até as opiniões mais descabidas, portanto não será difícil.

 

3. Escreve uma fanfiction onde acontece o que te apetece. Cria um blogue ou uma conta no Tumblr e reinventa a história à tua maneira. Com sorte, acontece-te como à E.L. James, a escritora de As Cinquenta Sombras de Grey, que começou uma fanfiction de Crepúsculo e acabou por convertê-la numa saga própria e enriquecer em três tempos.

 

4. Ver o episódio logo às 2 da manhã. Com sono suficiente para ficares confuso, mas não ao ponto de adormeceres. Vais ficar naquele estado de semi-transe, em que já não sabes muito bem o que é real e o que estás a sonhar. Desta forma, sempre que acontecer algo de que não gostes, podes assumir que não passou de um pesadelo e ignorar esse acontecimento para sempre. A personagem em vez de morrer fugiu, por exemplo. Também acontece o mesmo se beberes um shot por cada cena de sexo.

 

5. Ver a series finale de «Foi Assim Que Aconteceu» ou «Dexter» após um episódio traumático. Ou de outra series finale de que não gostaste, algo que te tire mesmo do sério. Trata-se da distração perfeita para ficares chateado com outra coisa. Ao pé disso, o que aconteceu em «A Guerra dos Tronos» vai parecer insignificante. Só para ter a certeza que funciona, convém juntar esta solução com outra infalível em caso de morte, nomeadamente o ponto 6.

 

6. Criar um grupo de apostas com os teus amigos e apostar na morte das tuas personagens favoritas. É o remédio perfeito para superares as mortes que se avizinham na oitava temporada. Embora fiques destroçado com a perda, isso vai ser compensado com a felicidade de teres recebido dinheiro. Quanto mais gostares da personagem, mais dinheiro investes. Com sorte, acabas triste mas rico.

 

7. Pagar 0.99 dólares para os teus amigos serem spoilados. Há um site que será seguramente um êxito nas próximas semanas. Por um custo simbólico, o site irá enviar spoilers e estragar a série aos teus amigos ou familiares. Em caso de desilusão da tua parte, não estarás sozinho. A menos que eles vejam o episódio às 2 da manhã, nesse caso é dinheiro atirado para o lixo.

 

8. Usar os teus dotes de edição de imagem ou pagar a alguém para substituir todas as vítimas pelo Joffrey. Se há personagem cuja morte entusiasmou a audiência foi a do rei Joffrey (Jack Gleeson). O filho de Cersei (Lena Headey) era tão odiado que houve reações eufóricas e virais espalhadas pelo mundo inteiro. Para aliviar a dor da morte das personagens favoritas nos próximos capítulos, uma das possibilidades é substituir o interveniente pelo Joffrey e imaginar que é ele a morrer outra vez. E outra vez. E outra vez.

 

9. Ter a expetativa de que vão morrer todos: qualquer sobrevivente é uma vitória. Costuma falar-se muito em expetativas e, no caso de «A Guerra dos Tronos», o ideal é estar a contar que vão morrer todos e que, no final, não restará nada mais do que a Armada dos Mortos. Se isto se confirmar, era algo de que já estavas à espera e não vais sofrer por isso. Caso não se confirme, todos os sobreviventes vão ser uma vitória e ainda podes considerar que a série teve um final feliz.

 

10. Perder toda e qualquer empatia pelo que acontece. Espero que não tenhas de chegar a este ponto, mas acontecimentos extremos exigem medidas drásticas. Para atingires este objetivo, vê tantos vídeos quanto necessário – de gatinhos, de pais militares que fazem uma surpresa aos filhos, aquele do bebé que ouve pela primeira vez, o «Titanic» (1997), revê «This is Us», e por aí fora –, até não manifestares qualquer emoção. Nessa altura, estarás pronto.

 

 

 

Top 10: Mortes em «A Guerra dos Tronos»

Faltam poucas horas para o arranque da oitava e última temporada de «A Guerra dos Tronos». O episódio será emitido em Portugal, pela primeira vez, ao mesmo tempo que nos Estados Unidos, logo às 2 da manhã de domingo para segunda-feira, na HBO Portugal e no Syfy. Fiz uma pausa na minha tentativa de pôr o sono em dia, para aguentar ver o episódio de madrugada, com medo dos spoilers do dia seguinte, para selecionar as minhas mortes 'favoritas' da saga televisiva, inspirada pelos livros de George R.R. Martin. Se há imagem de marca da série, é matar as suas personagens sem qualquer pudor. Penso que ainda não recuperei, aliás, de alguns dos choques que estão listados de seguida.

 

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10. Hodor (Temporada 6, episódio 5)

 

9. Todos os presentes na Great Sept of Baelor (Temporada 6, Episódio 10)

 

8. Tywin Lannister (Temporada 4, Episódio 10)

 

7. Petyr 'Littlefinger' Baelish (Temporada 7, Episódio 7)

 

6. Robb e Catelyn Stark (Temporada 3, Episódio 9)

 

5. Joffrey Baratheon (Temporada 4, Episódio 2)

 

4. Ned Stark (Temporada 1, Episódio 9)

 

3. Ramsay Bolton (Temporada 6, Episódio 9)

 

2. Casa Frey (Temporada 7, Episódio 1)

 

1. Oberyn Martell (Temporada 4, Episódio 8)

 

Sintam-se à vontade para partilharem também as vossas escolhas. :)

 

10 Razões Pelas Quais Rebecca Bunch Deve Ficar Sozinha

Faltam poucas horas para a season finale de «Crazy Ex-Girlfriend», a épica série, parcialmente musical, criada por Rachel Bloom e Aline Brosh McKenna, estando a protagonista Rebecca dividida entre três pretendentes. Tudo aponta para que a personagem prinicipal vá escolher um deles no último episódio, que chega à Netflix Portugal na madrugada de sexta para sábado, depois de três encontros ao jeito de um reality show. No entanto, e embora a fandom se 'enfrente' em demonstrações de apoio a cada um deles, há um resultado para mim evidente (e que deixaria todos os shippers descontentes): Rebecca deve escolher-se a si própria no final e ficar sozinha.

 

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Rebecca Bunch (Rachel Bloom) é uma advogada lançada para uma carreira de sucesso que, após encontrar a sua primeira paixão, Josh Chan (Vincent Rodriguez III), toma uma decisão impulsiva e muda-se para a pacata West Covina. Com um pontapé no rabo da promoção na firma onde estava, para desgosto da mãe, e muita obsessão, a protagonista torna-se, de forma por vezes bizarra, uma espécie de vilã 'fofinha' que, fora os laivos de loucura, vai conquistando o seu lugar no novo mundo. Este percurso, frequentemente turbulento, passa por períodos de trauma, vingança, stalkerismo e muitas sessões de psicoterapia, com Rebecca a ter de aceitar o seu desequilíbrio emocional, apesar de ainda ter um longo caminho pela frente. Em vez de estruturar «Crazy Ex-Girlfriend» simplesmente no campo da comédia, Rachel Bloom e companhia deram uma razão racional e saúde-related à narrativa de Rebecca. É aqui que começa o mote do meu texto.

 

Embora o meu propósito seja mostrar-vos porque acredito que a Rebecca Bunch deve ficar sozinha no final de «Crazy Ex-Girlfriend», confesso que tenho um favorito entre os três candidatos. Quer dizer, mais ou menos. À falta do Greg original, interpretado por Santino Fontana, que abandonou a série na segunda temporada, estou a torcer pelo Greg que o veio substituir, Skylar Astin. Isto porque, em vez de simplesmente trocar de ator, Rachel Bloom encontrou uma justificação, bem ao seu estilo, para a mudança visual drástica de Greg. No fundo, ele regressou uma nova pessoa... literalmente, e Rebecca começou a vê-lo de forma diferente. Aliás, o meu final ideal seria basicamente um twist de Gregs: a Rebecca percebia que tinha de aceitar Greg com todas as suas falhas, recuperando a versão antiga da personagem e mandando a atual de volta para a saga «Pitch Perfect» «Ground Floor» [cancelada ao fim de uma temporada, para tristeza minha].

 

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Ainda assim, não se deixem enganar por este meu lado fangirl. Acredito genuinamente que a protagonista não deve escolher nenhum dos três pretendentes – Josh, Nathaniel (Scott Michael Foster) e Greg –, com os quais manteve relações amorosas, alternadamente, nas quatro temporadas da série, mas sim aprender primeiro a estar sozinha. Tendo em conta que a série sempre foi pensada para ter esta duração, será de esperar um final coerente com a globalidade de «Crazy Ex-Girlfriend» e, nessa perspetiva, é um desenlace que faz sentido. Até porque Rachel Bloom já admitiu que o final será aquele que foi pensado inicialmenteUma relação poliamorosa também não seria propriamente uma surpresa, sendo consensual. Se Rebecca fica em West Covina ou não... já dava outro texto.

 

1. É cliché, sim, mas Rebecca Buch tem de primeiro gostar dela própria. Algo que já se percebeu que não se verifica...

 

2. Embora tenha mais cuidado com a sua saúde psicológica do que antes, ainda há um caminho longo (e individual) a fazer.

 

3. Estas relações despertaram, no passado, aspetos negativos da sua personalidade/saúde.

 

4. Em sentido contrário, ela também despertou o pior dos seus pretendentes.

 

5. Recentemente, mudou constantemente de "alvo" do seu afeto, pelo que parece ainda não ter percebido de qual gosta verdadeiramente. E a nova escolha pode ser de novo ilusória.

 

6. Há aspetos do seu passado, sobretudo amoroso e anterior ao início da série, que ainda não resolveu.

 

7. Foi para West Covina e começou cada uma destas relações pelos motivos errados, no passado.

 

8. O reprise do "I'm just a girl in love" como "I'm just a girl not in love" é o twist de que precisamos, só que ainda não sabemos.

 

9. Seria o fechar deste ciclo da sua vida que deu origem à série, pelo que faria sentido em termos de narrativa.

 

10. Fazer encontros românticos como reality shows tipo o «The Bachelor» para decidir quem se escolhe é parvo.

 

 

Apesar destas 10 razões, e na imperfeição que carateriza o ser humano, haverá sempre motivos para não fazer alguma coisa. No final, Rebecca pode aceitar tudo isto e, ainda assim, arriscar uma escolha. Qual é o vosso palpite?

 

 

 

Estreias 2019: As Minhas Escolhas de Abril

Nem só de «A Guerra dos Tronos» vive o seriólico, mas a verdade é que a estreia da última temporada da saga é o acontecimento televisivo mais importante do mês de abril (e quiçá de 2019). O inverno chegou, e não, não estou a referir-me à 'chuvada' que caiu hoje nalguns pontos do país. Como não há tempo para tudo, selecionei o top 5 entre as estreias absolutas e os regressos das próximas semanas, na TV portuguesa. Digam de vossa justiça e partilhem também as vossas escolhas.

 

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Veep – HBO Portugal, 1 de abril

 

Julia Louis-Dreyfus tem marcado a comédia televisiva das últimas três décadas, sobretudo desde que entrou de rompante nas salas de estar do mundo inteiro em «Seinfeld». Com «Veep», ganhou seis Emmys por seis temporadas, e prepara-se agora para dizer adeus a uma das personagens mais peculiares do pequeno ecrã. Selina Meyer (Louis-Dreyfus) está em plena campanha e é um verdadeiro salve-se-quem-puder, com a sempre indispensável ajuda da sua equipa de elite. Depois de um interregno de quase dois anos, bem recheado de turbulência política em vários cantos do globo, «Veep» regressará certamente de língua bem afiada para pôr em dia os comentários incisivos de Selina e companhia.

 

Barry – HBO Portugal, 1 de abril

 

Coloquei «Barry» no topo de todas as listas que tive de fazer em 2018 e, pelo caminho, a série encontrou o reconhecimento merecido com os Emmys para Bill Hader e Henry Winkler, nas categorias de representação. A premissa da série é bastante invulgar: Barry (Hader) troca a vida de assassino contratado pela de ator de um teatro comunitário. No entanto, e perante a impossibilidade de equilibrar as duas vidas, Barry acabou por terminar a temporada na mó de baixo, levando a cabo uma decisão difícil. A segunda temporada arranca pouco depois da season finale, com Barry a tentar encontrar finalmente a sua veia de ator, enquanto tenta esconder os seus atos da primeira temporada. Será bem-sucedido?

 

Whiskey Cavalier – AXN Portugal, 10 de abril

 

Para quem estiver à procura de reajustar a sua taxa de séries-tipo-Castle, «Whiskey Cavalier» apresenta-se como uma séria candidata para cumprir as quotas mínimas. Will Chase (Scott Foley) e Frankie Trowbridge (Lauren Cohan) são forçados a trabalhar em conjunto, apesar das diferenças, e a química arranca logo nos píncaros. Velho conhecido dos fãs de «Scandal», Scott Foley é o eterno miúdo mal-comportado, que promete conquistar novamente a audiência com muito charme e algum jeito para a representação. Embora o argumento não se apresente como nada de novo, caindo insistentemente no cliché FBI/CIA, a mais recente aposta do AXN irá certamente cumprir em termos de diversão.

 

A Guerra dos Tronos – HBO Portugal e Syfy, 15 de abril

 

É a estreia mais aguardada dos últimos anos. «A Guerra dos Tronos» vai chegar ao fim, a série primeiro do que os livros, e as expetativas estão seguramente em alta. Pela primeira vez, os episódios serão emitidos em Portugal ao mesmo tempo que nos Estados Unidos, tanto na HBO como no Syfy, na madrugada de domingo para segunda-feira, 15 de abril. Artigo especial aqui.

 

No Good Nick – Netflix, 15 de abril

 

Melissa Joan Hart e Sean Astin são os protagonistas de uma das principais estreias na Netflix em abril, «No Good Nick». Trata-se de uma comédia familiar, composta por 20 episódios, que retrata a inesperada história de vingança de Nick (Siena Agudong), que se apresenta como uma familiar distante. Focada em acertar contas com Liz (Melissa Joan Hart), Ed (Sean Astin) e companhia, a jovem rebelde acaba por se aproximar do grupo e, a partir daí, os seus objetivos deixam de ser tão claros como antes. Uma comédia previsível, mas divertida.