Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Androids & Demogorgons

TV KILLED THE CINEMA STAR

Androids & Demogorgons

TV KILLED THE CINEMA STAR

American Crime Story: OJ Simpson e Gianni Versace, por Filipa

Eram os anos 90, poucos de nós se lembram bem do que aconteceu no caso de O.J. Simpson, "The Juice". Mas, ao longo destas décadas, ouvimos inúmeras vezes a expressão "He did it".

 

A primeira temporada de American Crime Story é bem melhor do que seria de esperar. Ou eu esperava muito pouco. Apenas um "heads up" – não leiam sobre o caso antes de ver. Esperem até ao final. É que não está aqui em causa se é culpado ou não ('cause "He totally did it"), mas todo o processo desde os assassinatos até à sentença.

 

1.jpg

 

O elenco é de luxo e, sim, aparece o Robert Kardashian, encarnado por David Schwimmer, que lá se vai safando num registo dramático, uma Selma Blair como Kris Jenner, e as pequenas Kim, Khloé, Kourtney e o fofinho Rob. Muito antes da famosa sex tape. Temos uma cena adorável em que Rob Kardashian fala com as filhas sobre o perigo da fama. Haha!

 

Ao lado de Robert Kardashian, temos uma dream team legal: Travolta como Shapiro (estranho) e Courtney B. Vance perfeito como Cochran. Do lado oposto, a representar "The People", Sarah Paulson e Sterling K. Brown como Marcia Clark e Christopher Darden, respectivamente.

 

2.jpg

 

Tenham em consideração que este caso surgiu no rescaldo de Rodney King. A polícia americana estava debaixo de um grande escrutínio. E não se esqueçam, também, que O.J. fazia parte da realeza intocável de Hollywood. À medida que os episódios se sucedem, vemos o conflito entre O.J. ser negro e ser uma celebridade. "I'm not black. I’m O.J. Simpsom" e "He's got the cops chasing him. He's black now".

 

3.jpg

 

Sendo a primeira temporada tão boa, resta-nos esperar que siga o mesmo caminho em Versace. Com apenas o piloto para termo de comparação, já vimos que o factor qualidade está lá. O elenco também. Resta rezar para que não saia muito dos trilhos. Também não li sobre Versace antes de ver. Tenho uma vaga memória da notícia surgir em revistas. Naquele tempo, não havia cá redes sociais para escrutinar tudo até ao último detalhe. Gianni Versace foi assassinado em frente à sua casa em Miami e agora o estado do tempo para amanhã. Recordo-me da notícia assim, tenho a certeza que foi assim.

 

4.jpg

 

Darren Criss está perfeito no papel do assassino. Ajudam as semelhanças físicas do actor com Cunanan. Mais uma vez, destaco a qualidade do elenco. Com a excepção de Penélope Cruz, que se assemelha um pouco ao John Travolta como Shapiro na primeira temporada, são mais bonecos que personagens. Claro que as pessoas que estão a representar não eram propriamente simples e discretas na época... Mas deixem que vos diga. Apenas com o piloto… Donatella’s gonna be pissed!

 

PS: É normal gritar “Canta o 123 Maria” quando o Ricky Martin aparece no ecrã. É ok. A sério.

 

 

Mosaic: A Alegoria de Steven Soderbergh Sobre a Solidão

«Mosaic», a série realizada por Soderbergh e estrelada por Sharon Stone, estreia no TVSéries esta madrugada, à 1h. A METROPOLIS teve acesso em primeira mão à nova aposta da HBO e diz-lhe o que pode esperar.

 

1.jpg

 

"A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. (…) Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar", escreveu o uruguaio Eduardo Galeano. O seu motto sintetiza parte da ambição narrativa de «Mosaic», a nova aposta do TVSéries, que obriga as suas personagens a movimentarem-se sempre para algum lado, em busca de algo nem sempre percetível. Esta não é uma série sobre um crime, é um thriller sufocante que inclui e 'rodeia' um crime, mas que vai muito para além dele. E que nos força também, enquanto espectadores, a acompanhar esta viagem. No final, percebemos que tudo não passou de uma distração (e das boas!).

 

Todos os envolvidos deixam parte de si na 'tela', a fim de construir este "Mosaico", onde as cores e as formas vão encaixando episódio após episódio, até surgir uma imagem nítida. Com uma realização cinematográfica, e dentro do estilo sombrio a que Steven Soderbergh nos habituou, a minissérie marca ainda o regresso do argumentista Ed Solomon («MIB – Homens de Negro», «Os Anjos de Charlie», «Mestres da Ilusão») à televisão, onde já não parava desde 1992. Sharon Stone surge em força e dá ao ar da sua graça com uma personagem que acaba por ser uma caricatura de si própria: uma mulher perto dos 60 anos, bem-sucedida, mas sem estabilidade (pública) na vida pessoal. (Ironicamente, foi noticiado há dias que a atriz teria um relacionamento com um jovem desconhecido…)

 

2.jpg

 

Quanto à história, Olivia Lake (Sharon Stone) é uma autora apostada em causas humanitárias, nomeadamente no apoio a crianças por via da arte. Mas quando caminha nas sombras, quase impercetível, é uma figura solitária que procura ser correspondida. Como tal, é vulgar interessar-se e desinteressar-se pelos homens que passam na sua vida, indo facilmente do 8 ao 80, mas também do 80 para o 8. A intensidade que emprega à sua vida social é acompanhada por diálogos bem estruturados, consolidação de personalidades e, sobretudo, por ações/reações (até silenciosas) fitadas pela câmara. Como um "Mosaico", os acontecimentos vão-se sucedendo e, com isso, também os problemas: Michael O'Connor (James Ransone) quer comprar o terreno onde Olivia está, o artista em dificuldades Joel Hurley (Garrett Hedlund) não corresponde ao interesse e Eric Neill (Frederick Weller) é uma fraude. A narrativa aproxima-se do seu auge logo no segundo episódio, quando Olivia desaparece (provavelmente assassinada). Quem foi o/a responsável?

 

A banda sonora é o ingrediente extra que liga tudo o resto, num constante ambiente de tensão e mistério, habitado pelas personagens que, tendencialmente, até exageram as suas reações. É uma montagem quase teatral, onde a câmara viaja, sem pudor, nas costas das personagens, ou com perspetivas que contrariam o estilo dito padrão. No entanto, é incontestável que o ingrediente-chave deste enredo é Soderbergh e a sua lente, pelo que é uma série que dá resposta a um nicho e não necessariamente ao público em geral. Sobretudo pelo desaparecimento progressivo do mistério, que passa várias vezes para segundo plano, permitindo assim o crescimento das personagens. Quem está à procura de uma série quase policial, pura e dura, vai ter, provavelmente, as suas expetativas goradas. A verdade é que «Mosaic» tem todos os ingredientes de uma série do género, mas raramente recorre a eles sem um objetivo próprio.

 

3.jpg

 

Assim como a utopia para a qual se caminha na batalha da (auto)concretização, também a narrativa de «Mosaic» explora os contornos dúbios da vitória sobre a solidão. É um diálogo humano de Soderbergh e Solomon com o seu público, feito numa sucessão de imagens escuras, tons agudos e frases capazes de nos derrotarem. No fundo, é uma análise diferente ao modo como as nossas escolhas, e depois as nossas ações, têm sérias implicações no futuro e ganham, assim, a capacidade de construir ou destruir o "Mosaico" que é a vida. Destaque ainda para o elenco de luxo, que conta com nomes como Jennifer Ferrin, Beau Bridges, Paul Reubens, Allison Tolman e Michael Cerveris. No entanto, a estrela é sem dúvida Sharon Stone, poderosa e segura de si, que é capaz de 'roubar' todas as cenas em que entra.

 

«Mosaic» surpreende ainda com a aposta numa aplicação, disponível para IOS e Android, que permite ao espectador escolher o seu caminho ao longo da história. Além disso, também é possível optar por perspetivas diferentes, das diversas personagens, e detetar novas pistas, a fim de criar a própria versão do mistério.

 

Texto originalmente publicado na Metropolis.

 

 

Aluga-se Blog #12 - Doctor Who, por Diogo

1.png

 

Olá, chamo-me Diogo e sou Whovian. Para quem não sabe o que acabei de dizer, permitam-me que vos leve numa viagem pelo espaço e pelo tempo ou, como quem diz, deixem-me falar-vos sobre a melhor série (ou pelo menos a mais antiga ainda no activo) de todos os tempos. Estou a falar, claro está, de Doctor Who. Com uma estreia que remonta tão longe quanto a 1963, Doctor Who começou por ser uma série didática, destinada a ensinar as crianças a História do nosso planeta, através de um alien mal-humorado que viajava pelo espaço e tempo numa cabine telefónica. Felizmente para todos os que assistem à série, tornou-se muito mais do que isso.

 

 

 

É uma tarefa ingrata tentar descrever aquilo que Doctor Who representa, não só para mim, mas para milhões de pessoas pelo Mundo inteiro. Explicando os básicos em primeiro lugar: O Doctor é um alien originário do planeta Gallifrey, um Time Lord, uma espécie pioneira no desenvolvimento da tecnologia de viajar no tempo, sendo que também são uma espécie que são sensíveis às linhas temporais, mas isso já são demasiados pormenores. A outra característica importante dos Time Lords e do nosso Doctor é a sua capacidade regenerativa, a capacidade de mudarem todas as células do seu corpo quando estão próximos da morte e tornarem-se pessoas totalmente diferentes, com personalidades diferentes, mas com as memórias intactas.

 

É este um dos grandes motivos pelos quais Doctor Who segue firme e hirto passados mais de 50 anos, a capacidade de ter o personagem principal desempenhado por vários actores (e agora actrizes também) sem se perder a essência da série, algo que é impensável em todas as outras. Então, perguntam vocês, o que é que este alien faz mesmo? Posto de maneira simples, não faz mais do que andar por todo o tempo e espaço, com os seus companheiros que vai tendo ao longo do tempo, sendo que a sua actividade favorita é salvar a Terra da sua destruição iminente. É um tipo bastante simpático, se pensarmos bem nisso, ninguém lhe pede para salvar o nosso aglomerado de idiotas.

 

 

Por estar constantemente a salvar o nosso planeta e não só, também os vilões fazem de Doctor Who uma série fora do normal. Alguém tão velho (mais de 2000 anos de idade) foi ganhando inimigos para dar e vender, sendo que uns são mais icónicos que outros. Os sempre presentes Daleks, uma espécie de saleiros com um desentupidor de canos e uma espécie de vara de bater claras, são o inimigo mais clássico do Doctor e presença garantida em todas as temporadas. O Master (ou Missy) é o seu arqui-inimigo/melhor amigo, outro Time Lord que decidiu ser não tão amigável quanto o nosso protagonista, temos os Cybermen com a sua mania em fazer uma extreme makeover a todos os humanos, temos Silurianos, Oods, Sontarans, Ice Warriors, Weeping Angels e tantos outros com nomes ainda mais engraçados.

 

 

Apesar de estar no ar desde 1963, a série já experimentou um período de hiatos enorme, desde 1989 a 2005, com um filme pelo meio. Com o reboot lançado por Russell T. Davies e Christopher Eccleston a ser a 9ª encarnação do Doctor, a série entrou numa nova era, com um início tremido mas que se tornou outra vez uma das, se não a série mais bem-sucedida do Reino Unido da actualidade. Esse sucesso todo foi ainda mais catapultado por Steven Moffat, agora de saída, o showrunner que elevou Doctor Who a um nível nunca antes visto. Histórias mais complexas e adultas, sem nunca perder a essência da série. Claro que uma das características dele é escrever argumentos com alguns plot-holes, mas de maneira alguma isso diminuiu a qualidade dos episódios.

 

Passados 50 anos, Doctor Who não pára de se reinventar nem de estabelecer novos paradigmas. Um papel que foi sempre feito por actores ganha agora, na pele de Jodie Whittaker, a sua primeira reencarnação feminina. Foi preciso chegarmos às 14 para finalmente termos o nosso Time Lord a ser transformado numa Time Lady, algo que me deixa à espera da nova temporada (a 11ª) com uma antecipação extra àquela que sempre sinto quando recomeça a minha série favorita.

 

 

Espero que tenha suscitado a vossa curiosidade em experimentar esta série magnífica e garanto-vos que mal comecem, vão-se perder nas aventuras do Doctor juntamente com a Rose, a Clara, o Rory e a Amy, a River, entre tantos outros que se deixam levar pelas suas excentricidades assim como qualquer um de nós se deixaria e num instante vão conseguir pronunciar Raxacoricofallapatorius sem torcerem a língua.

 

 

9-1-1: Quem Não Quer Ser Shonda Rhimes, Não lhe Rouba a 'Sirene'

Para Ryan Murphy, as comparações com Shonda Rhimes estão ao nível daquelas que sofreu Dominique Wilkins, ao ser contemporâneo de Michael Jordan e Larry Bird na NBA. Mesmo sendo um ás dos afundanços, Wilkins não conseguiu superar os dois 'monstros' do basquetebol em campo. Já Ryan Murphy continua a reforçar a sua presença na indústria de TV, mas Shonda Rhimes ainda está à frente. Agora, com «9-1-1», infiltra-se no mundo onde ela foi coroada rainha: os dramas médicos.

 

1.jpg

 

Acabado o episódio piloto de «9-1-1», senti-me amplamente dividida enquanto espectadora: a quantidade absurda de acontecimentos e revelações importantes fez-me crer que tinha acabado de ver uma temporada inteira, mas o facto de as personagens serem apresentadas apenas à superfície contrariava esta primeira impressão. Assim como acontece com a narrativa, o perfil das personagens é construído com base no choque e num corrupio de emoções que, apresentadas de forma sucessiva e sempre com o ritmo nos píncaros, mal deixam a narrativa respirar. No entanto, este é um dos formatos narrativos usados para agarrar o público que, insaciável, não aguenta enquanto não souber o que vem a seguir. Não é o meu caso.

 

Vamos fazer um teste. Caso tenham amigos seriólicos que ainda não viram «9-1-1», e pouco ou nada sabem sobre a sua origem, desafiem-nos a ver o primeiro episódio e, no final, perguntem-lhes quem acham que criou a série. Não estranhem se a resposta for Shonda Rhimes. Embora Ryan Murphy tenha assumido a rédeas da criação de séries televisivas seis anos antes de Shonda, em 1999, a verdade é que ela conseguiu em pouco tempo, cerca de dois anos, aquilo que ele demorou mais de uma década a definir: um legado na TV. Mais do que isso, Shonda estabeleceu um estilo narrativo que, não sendo inédito, ficou colado à sua imagem. Marcado pela aposta firme e permanente no choque inescapável e no drama em ebulição, o esquema de séries como «Anatomia de Grey», «Scandal» ou «Como Defender um Assassino» marcou uma era e colocou Shonda Rhimes no topo dos produtores executivos. (E não é por acaso que alguns a chamam 'Shondanás'.)

 

2.jpg

 

Esta parece a "História de um Menino que Estava a uma Série Médica de Ser Shonda Rhimes" (se considerarmos que «Nip/Tuck» era mais específica), mas Ryan Murphy tem um currículo vasto e com valor próprio. Foi assumindo a criação de uma série de cada vez e só com «American Horror Story», lançada numa altura em que «Glee» ainda durava, inverteu esta tendência. Atualmente, tem um império que impõe respeito, com quatro séries em andamento: «9-1-1», «American Horror Story», «American Crime Story» (Versace estreia na FOX Life dia 25) e «Feud», com «Pose» prestes a ser lançada. Além disso, tem mantido na sua 'cartilha' um leque invejável de grandes atores, como Jessica Lange, Evan Peters, Sarah Paulson, Angela Bassett e Kathy Bates, colaborando ainda ocasionalmente com nomes como Penélope Cruz, Susan Sarandon, Catherine Zeta-Jones ou Cuba Gooding Jr. «9-1-1» é uma combinação destas duas facetas.

 

Ryan Murphy dá a Angela Bassett o protagonismo que ela já tinha mostrado merecer após 47 episódios de «American Horror Story», e, por outro lado, vai buscar Peter Krause («Sete Palmos de Terra», «Parenthood») e Connie Britton («Friday Night Lights», «Nashville»). Os três encabeçam as áreas de atuação de «9-1-1», a polícia, os bombeiros e os recetores das chamadas de emergência, e humanizam também a trama fortemente apoiada na rotina e na tragédia que pauta o dia a dia destes profissionais. Tal como em «Anatomia de Grey», a vida profissional destes socorristas parece bem mais 'animada' do que a de qualquer comum mortal. E, para tornar estas comparações ainda mais inevitáveis, «9-1-1» tem uma narradora, neste caso Abbie (Connie Britton), que vai envolvendo cada vez mais o espectador no ambiente ficcional.

 

3.jpg

 

É fácil empatizar com «9-1-1», nomeadamente a partir de Abbie que, embora faça parte da ação, acaba sempre à margem desta mal os serviços de emergência chegam. As personagens são conhecidas pelos seus problemas, pelo que a aproximação e a humanização delas é executada pela dor. Esta tendência extravasa tudo o resto, levando a um crescente desequilíbrio da narrativa que, ainda assim, faz aumentar a tensão e a expetativa do que se segue. Da mesma forma, o elenco principal é caraterizado de forma estereotipada - o que não é obrigatoriamente negativo -, o que se concretiza na sua representação de uma profissão (e do que lá se encontra) ao invés de uma complexa individualidade. Até certo ponto, aliás, pode considerar-se que a colagem à profissão e ao drama sempre iminente impossibilita a existência - e consequente crescimento - da personagem por si só.

 

Apesar de tudo, não se pode castigar «9-1-1» por não ser um documentário: a série não quer sê-lo. É, em vez disso, uma hora de entretenimento semanal que revela e desmistifica profissões que falam a mesma 'língua' em todo o mundo, já que os serviços de emergência são uma necessidade em todos os países. Ao dar rostos e personalidades/vícios aos envolvidos, simplifica e torna mais interessante, em certa medida, a relação do espectador com esse universo. Como tal, é uma série televisiva que responde a um nicho alargado que, a julgar pela invasão de dramas médicos anualmente, continua a render adeptos e a valer êxitos. Para já, «9-1-1» conseguiu mais do que muitas séries médicas dos últimos anos: uma segunda temporada.

 

 

 

Aluga-se Blog #11 - Teen Wolf: Wolf Com Certeza, Teen... Nem Tanto, Por Juliana

Ora, olá a todos! O meu nome é Juliana Melo e aluguei o blog por um bocadinho. Estou aqui para desmistificar algumas coisas sobre a série Teen Wolf. Espero que estejam preparados!

 

teen-wolf.jpg

 

Sempre que dizia a alguém que via Teen Wolf com a minha idade recebia um olhar de "Mas não és demasiado velha para ver séries de adolescentes?", como se houvesse idade para ver séries do que quer que seja. Aliás, quem faz esse tipo de comentários sobre Teen Wolf é porque realmente nunca viu a série. Tudo bem, na primeira temporada eu posso admitir que existem mais dramas adolescentes, mas a série chega a um ponto que não há grande espaço para esse tipo de coisas, porque se torna sombria e dá mais valor aos monstros e criaturas míticas do que aos próprios dramas adolescentes.

 

Para quem nunca ouviu falar da série, eu faço um pequeno resumo do que se trata. A série acompanha Scott, um adolescente asmático anti-social que se torna lobisomem por estar no lugar errado à hora errada. E a partir daí é acompanhado o drama de um adolescente que passa por essas mudanças, além das típicas da idade. Porque realmente não chegava estar na adolescência, tinha que se estar como lobisomem. Não está fácil, não! Basicamente esta é a premissa da primeira temporada. À medida que a série vai avançando, vão sendo apresentadas novas personagens do fantástico que lhe vão dando mais estrutura. Cheguei ao ponto de ter a luminosidade do computador no máximo, de andar a mexer o ecrã para tentar ver alguma coisa, porque a série nas últimas temporadas torna-se tão sombria e escura que quase não se consegue ver nada. Claro que, quem pensa que é uma série de adolescentes felizes e contentes nunca na vida julga que vai ter esse desenrolar.

 

original.png

 

O que Teen Wolf tem de diferente de muitas séries é que, possivelmente, a maioria das pessoas não tem como personagem favorito o Scott. A meu ver o Scott é uma personagem bastante incompleta que personifica um herói, mas que não tem nada de especial (é a minha opinião, sorry not sorry!). Stiles, por outro lado, é uma personagem muito completa. Praticamente o único personagem que se manteve humano durante toda a série é o personagem que lhe dá mais vida. Personagem cómico e desengonçado, que acaba por nos fazer rir mesmo nos momentos mais tensos da série. Além disso, é quem resolve todos os problemas. A mente do grupo, com certeza! A segunda parte da última temporada de Teen Wolf foi das mais fracas por não ter a presença constante de Stiles.

 

Quem me conhece sabe que sou uma romântica por natureza e que na maior parte das séries consigo arranjar casais e Teen Wolf não poderia ser excepção. Stiles Stilinski e Lydia Martin (a minha personagem favorita da série, aliás) no início da série são, com certeza, os personagens mais improváveis de virarem casal, a não ser pelo facto dele ter uma valente crush por ela. Contudo, com o desenrolar da série, para mim, tornam-se ambos dos melhores personagens e, juntos, tornam-se uma equipa muito boa que só se tornaria melhor se eles se tornassem um casal de verdade. Para não estragar a série para quem ainda pode um dia vir a ver, não vou dar mais pormenores, mas esperem cenas muito divertidas entre estes dois e, quer shipem como casal, quer não, eles são uma dupla fantástica, isso ninguém pode negar!

 

 

A série é tão mais do que um bando de adolescentes com os seus dramas. Não confundam com 90210 ou The O.C. que, apesar de eu achar que são séries boas, são sim, claramente, dramas adolescentes. Aqui recebemos um cheirinho de drama adolescente, mas são tantos outros factores que definem a série que a parte Teen acaba por ficar de lado. Portanto, se vão julgar a série porque tem Teen no nome, não o façam por favor!

 

 

 

Divorce: Um dos Dramas Mais Humanos da TV Regressa com (Ainda) Mais Piada

«Divorce» tem novo episódio na madrugada de 14 para 15 de janeiro, às 3 horas, no canal TVSéries. Com Jenny Bicks, que já tinha trabalhado com Sarah Jessica Parker em «Sexo e a Cidade», como showrunner, a série da HBO apresenta-se de cara lavada e mais otimista.

 

b.jpg

 

A vida em «Divorce» continua a não ser só «Sexo e a Cidade», o nome da série que fez a carreira de Sarah Jessica Parker, mas é também muito isso. Com uma linguagem crua e direta ao assunto, a série da HBO volta a colocar os pontos nos i’s no que diz respeito aos dramas familiares, à comédia (inevitável e trágica) e até ao sexo. Em contrapartida, a segunda temporada de «Divorce» apresenta uma realidade um pouco mais leve, ainda que o conflito se mantenha como o combustível desta viagem comandada por Frances (Sarah Jessica Parker) e Robert (Thomas Haden Church) – agora sem bigode, mas nem assim se livra das comparações ao ator Tom Selleck.

 

Com a aproximação do regresso, parte da curiosidade residia em perceber como a entrada de Jenny Bicks, diretamente para os cargos de produtora executiva e showrunner, ia afetar o ambiente da série, marcadamente pesado na primeira temporada. Jenny Bicks é uma velha conhecida da protagonista Sarah Jessica Parker, uma vez que ocupou diferentes cargos de produção em «Sexo e a Cidade», e não se cruzava com a atriz desde a finale de 2004. Como seria de esperar, a showrunner opta por um tom mais leve e cómico, mas sem desvirtuar toda a dimensão humana que assombra um divórcio e sem medo de tocar mesmo as feridas mais profundas.

 

a.jpg

 

Depois dos avanços e recuos na primeira temporada, Frances e Robert assinam finalmente os papéis de divórcio e assumem uma nova rotina. Assim como é imagem de marca de «Divorce», a série não tem medo de abraçar as partes mais aborrecidas do quotidiano, pelo que até as burocracias são visitadas. Contudo, o lado menos glamoroso da vida é equilibrado com momentos mais cómicos, e nem sempre logo à superfície. A série usa os truques da ficção para recolocar o espectador como testemunha principal dos segredos das personagens, sendo que o facto de saber o que se segue funciona como uma 'ameaça dupla': deixa o espectador numa falsa posição de vantagem – mesmo sabendo aparentemente mais, não espaca a eventuais surpresas – e tem um efeito cómico inevitável. E as revelações chocantes são frequentes na segunda temporada.

 

Diane (Molly Shannon) e Dallas (Talia Balsam) voltam a roubar as atenções sempre que surgem no ecrã, confirmando-se como as estrelas de uma série onde não são protagonistas. Deste modo, quando o drama se intensifica, uma das soluções mais frequentes é recorrer a uma delas e ao riso natural que provocam para evitar chegar ao excesso dramático. Também Tom (Charlie Kilgore) e Lila (Sterling Jerins) ganham mais espaço para 'respirar', com grande parte das atenções (e problemas) a incidirem sobre os filhos de Frances e Robert – ou a terem origem neles. Tal como na vida real, os filhos são atores fundamentais no divórcio dos pais e «Divorce» encara isso, e vai mais além, não virando a cara ao lado menos bonito dos relacionamentos.

 

c.jpg

 

Becki Newton e Steven Pasquale são as principais adições ao elenco neste regresso, sendo inseridos em círculos diferentes da narrativa que, inevitavelmente, acabam por se cruzar. Mais uma vez, «Divorce» troça das expetativas do seu público, pelo que nem sempre é fácil perceber para onde caminha a série criada por Sharon Horgan. Sem grande alarido, e com o discurso a ser super valorizado, a série aposta na humanização das suas personagens e, sobretudo, em torná-las mais próximas e acessíveis ao espectador. Além disso, trata um tema 'querido' dos espectadores, o divórcio, bem como os dramas relacionados com ter filhos adolescentes e a luta por recomeçar a vida – ou evitar que ela descambe. Será que vão ser bem-sucedidas?

 

Artigo publicado originalmente na Metropolis.

 

 

Pág. 1/3