Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Androids & Demogorgons

TV KILLED THE CINEMA STAR

Androids & Demogorgons

TV KILLED THE CINEMA STAR

7. Melhor Atriz Secundária: Carrie Coon

fargocoon.jpg

 

Nem a realidade inerente ao pequeno ecrã escapa a ironias. Carrie Coon evidenciou-se pela primeira vez na mal-amada (pela crítica) «The Leftovers», mas só chegou às nomeações ao Emmy com a terceira temporada de «Fargo». Os Prémios Critics Choice fizeram-lhe justiça em 2016, o ano em que atingiu um novo patamar, e ao qual deu continuidade na popular série de Noah Hawley. Com o final de «The Leftovers», que viu Carrie chegar à nomeação por outra série e Ann Dowd, a única indicada ao Emmy em três temporadas, vencer por «The Handmaid's Tale», a atriz tem já presença garantida no cinema, nomeadamente no promissor «The Post», de Steven Spielberg.

 

Os primeiros créditos na representação remontam a 2011, e não demorou a dar nas vistas. Em 2014 juntou-se ao elenco de «The Leftovers» e participou no filme «Em Parte Incerta» (2014), de David Fincher. Sem extravagâncias ou exageros, a atriz destaca-se, em vez disso, pela sobriedade que emprega às suas personagens, regularmente emocionais. Num estilo que roça a frieza mas, nesta perigosa aproximação, sai ainda mais fortalecido, Carrie Coon tem conseguido vingar no meio hiper-competitivo do pequeno e grande ecrã, sendo uma das grandes promessas (já confirmadas) para os próximos anos. Resta saber quanto tempo vai demorar a ir buscar o Emmy que lhe está prometido.

 

Review aqui.

 

 

 

8. Melhor Ator Secundário: David Harbour

tmp_Lm6Wpu_71f1cefdfc2622c2_A012_C008_1109BT_001.1

 

Não é um ator que passe despercebido na tela. Apesar de curta participação em «The Newsroom», incomodava-nos a cada linha de discurso e, no cinema, foi cruzando com veemência o nosso olhar em filmes como «Revolutionay Road» (2008) e «Esquadrão Suicida» (2016). O auge da sua carreira chegou já enquanto quarentão, com a interpretação do xerife Hopper de «Stranger Things». Depois uma primeira temporada em crescendo, o ator agarrou a série desde o regresso e não mais a largou, estando já na corrida ao Globo de Ouro de Melhor Ator Secundário. Além do mais, espera-o o primeiro grande papel no grande ecrã, com o protagonismo de «Hellboy» (2018).

 

A segunda temporada de «Stranger Things» é completamente dominada por ele e Noah Schnapp, o Will, ainda que em lados diferentes da 'barricada'. David Harbour sabe o que quer em cada cena e vai buscá-lo, o que valoriza o discurso e, sobretudo, a interação com as demais personagens, nomeadamente Joyce (Winona Ryder) e Eleven (Millie Bobby Brown). Ainda não se sabe, ao certo, onde vai parar a conspiração do Upside Down, mas há uma certeza: o xerife Hopper vai continuar à procura de respostas.

 

Review aqui.

 

 

 

9. Melhor Elenco: The Handmaid's Tale

handmaids-tale-1492723159.jpg

 

Muito se poderia dizer sobre «The Handmaid's Tale», que chegou a Portugal pela mão do N Play com dois episódios semanais. Coroada com o Emmy de Melhor Série Dramática, e com Melhor Atriz e Melhor Atriz Secundária, a série tem vindo a conquistar a audiência e a crítica. A sua história feroz, imaginada pela autora Margaret Atwood nos anos 80, é um doloroso murro no estômago de uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia e tendencialmente acrítica (ou fechada sobre si). Apesar de se tratar de ficção, mantém alguns elementos próximos o suficiente com a realidade para nos deixar constantemente alerta, tendo, por outro lado, um elenco muito forte que valoriza ainda mais o argumento e a realização.

 

Mas nem só de Elisabeth Moss, que se destaca na liderança da narrativa, vive esta história. Yvonne Strahovski e Joseph Fiennes servem de dois tipos de antagonistas, apesar de integrarem o mesmo casal, enquanto Ann Dowd, que foi premiada com o Emmy, corporiza o papel das mulheres que têm poder. Ou que vivem na ilusão de o ter. Embora se trate de uma guerra política e religiosa, o conflito ganha força pela ação das diferentes personagens, que aplicam cegamente o poder estabelecido, ou o desafiam e pagam o preço elevado dessa ousadia. Sem dúvida uma série a não perder!

 

Mais sobre a série aqui e aqui.

 

 

10. Melhor Criador: Michael Schur

25-michael-schur.w750.h560.2x.jpg

 

Multifacetado, Michael Schur tem-se destacado como criador de séries de comédia. Depois da inusitada «Parks and Recreation», idealizou «Brooklyn Nine-Nine» e mais recentemente «The Good Place», tendo pautado a sua carreira por apostas arriscadas e piadas menos diretas do que o habitual. Contrariando todas as probabilidades, a verdade é que tem sido bem-sucedido embora, teimosamente, a crítica continue a ignorá-lo no papel de criador. O twist da primeira temporada de «The Good Place» é do melhor que se viu nos últimos anos e, desafiando ideias preconcebidas, Michael Schur consegue falar do que lhe apetece - mesmo que sejam temas supostamente chatos como ética ou filosofia.

 

Como produtor, Michael tem ainda participado em séries de sucesso como «Saturday Night Live», «O Escritório» ou «Master of None», tornando-o uma das pessoas mais proeminentes na arte de fazer rir. A sua escrita estranha-se e depois entranha-se, ainda que não se possa esquecer a relevância de atores como Amy Poehler, Andy Samberg, Kristen Bell e Ted Danson na concretização das suas palavras. A interpretação, muitas vezes subtil, ilude-nos pela sua simplicidade, pelo que nos arriscamos a não ver os pormenores que se passeiam à superfície. Até já saiu da sua zona de conforto com a assinatura de um episódio de «Black Mirror», "Nosedive". Mal podemos esperar pelas ideias que ele tem guardado debaixo da manga!

 

 

 

11. Melhor Série Nacional: País Irmão

36259786842_46b981db00_z.jpg

 

Como é possível, numa era da informação hipertecnológica, falar-se da atualidade de uma série sobre desinformação? A ficção brinca com as artimanhas do quotidiano para, numa sucessão de golpes de bastidores, desmistificar a ilusão de que tudo se sabe. Apenas contactamos com a superficie das coisas. E isto deixa-nos completamente desarmados na história magicada por Tiago R. Santos, Hugo Gonçalves e João Tordo, numa combinação que parece ter sido escrita nas estrelas. Portugal já foi conotado de 'país das novelas e do futebol', assim como o País Irmão Brasil, pelo que os criadores resumem-se a explorar, de forma brilhante, a realidade (e os seus perigos) tal como a conhecemos. Tantas vezes nos queixamos do fraco apoio à Cultura que é, no mínimo, irónico que ela seja a protagonista improvável de uma história sobre escândalos políticos. Destaque inevitável para Margarida Marinho, no papel de Ministra da Cultura, que desde o primeiro momento pega na trama pela raiz e a passeia à nossa frente, fortalecendo o centro da narrativa - que é enriquecido pelas 'novelas' paralelas.

 

É uma série portuguesa, mas podia não ser. Esta frase, que serve de elogio à qualidade de argumento, elenco e realização, responsabilidade de Sérgio Graciano, é um sinal claro de que foi dado um passo em frente na defesa da produção nacional. Vale a pena apostar na 'louça' da casa e correr riscos, até porque, como testemunhamos pela amálgama de séries com apenas uma temporada que passam no nosso país até ao inevitável cancelamento, investir nas produções internacionais não é sinal de qualidade. Ainda assim, este esforço não pode ser imputado exclusivamente à RTP, enquanto canal do Estado, mas também aos restantes canais. Embora as novelas portuguesas tenham qualidade, como o comprova os prémios já recebidos, é preciso produzir outro tipo de conteúdos, como é o caso das séries. Já relativamente aos reality shows, atenção redobrada ao futebol, distrações mediáticas e outros dramas sociais, o melhor mesmo é ir ver «País Irmão».

 

Review aqui.

Assistir aqui.

 

 

Knightfall - Templários: E Não Viveram Felizes Para Sempre

tom_cullen_as_landry_bowed_before_his_sword_in_his

 

Embora a nova aposta do TVSéries assente na ficção, já que traz alguns acontecimentos e personagens sem bases firmes na história, a verdade é que se trata de um instrumento fundamental para tornar a narrativa mais verosímil. Os Templários, há séculos apoiados no mito, eram pessoas reais como as outras, com problemas e emoções semelhantes, mas aos quais era feita uma exigência diferente. É desta necessidade do argumento que surgem Landry (Tom Cullen) e outros rostos: eles representam mais do que uma pessoa, representam a inevitabilidade de que os Templários eram humanos. E tudo o que isso acarreta.

 

Já sabemos o final desta história: os Templários foram dissolvidos e, quando foram recuperados no século XIX, já não eram guerreiros mas sim diplomatas. Esta história não vai ter um final feliz. A ação arranca em Acra em 1291, o início do fim para os cavaleiros dos Templários, que surgem 15 anos mais tarde em Paris. Outrora incumbida da missão de garantir passagem segura aos peregrinos para a Terra Santa, com votos de pobreza e castidade, há muito que a Ordem era conhecida por ter dinheiro – e a parte da castidade também é falsa, pelo menos parcialmente, como descobrimos mais tarde.

 

Knightfall_Trailer2_092617_MIP_HD.jpg

 

O mito desmonta-se em planos rápidos e extasiantes, que assentam sobretudo na ação e na fluidez dos acontecimentos. As batalhas normalmente seguem Landry, a personagem em que assenta o cerne do conflito, e a partir da qual temos acesso aos acontecimentos preservados pela história. Deste modo, a série afasta-se da construção meramente histórica e assume os seus desvios criativos, usando-os não como artifício, mas antes para fortalecer os factos que se quer contar. A primeira temporada vai recair sobretudo na busca pelo mítico Santo Grall, ainda que esta descoberta não se resuma apenas ao objecto religioso...

 

 

Texto originalmente publicado na Metropolis.

 

 

12. Ator Revelação: Iain Armitage, Young Sheldon (e Big Little Lies)

young-sheldon1.jpg

 

Muito aconteceu fora do palco do popular musical Hamilton, idealizado pelo espetacular Lin-Manuel Miranda, nomeadamente a nível de novas interpretações das músicas ouvidas no espetáculo. Iain Armitage, apesar de ter sido um dos participantes mais novos, abraçou provavelmente o desafio mais difícil: recriar uma das cabinet battles entre Alexander Hamilton e Thomas Jefferson... interpretando os dois papéis! O vídeo, ainda que curto, é um sinal claro da sua versatilidade e potencial, atendendo ao cuidado interpretativo que o pequeno ator já demonstra. Dúvidas houvesse, estas desfizeram-se com estrondo na televisão: primeiro com um papel turbulento em «Big Little Lies» e depois na prequela da infância de Sheldon Cooper, de «A Teoria do Big Bang».

 

Como já se tinha evidenciado em «Big Little Lies», a sua escolha para protagonizar «Young Sheldon» não foi recebida com desconfiança pelos fãs, mas antes com expetativa. Iain abraça o desafio com maturidade e tem em atenção o trabalho desenvolvido por Jim Parsons na série original, seja ao nível da forma de andar ou do discurso. Sendo que tem apenas 9 anos, será curioso testemunhar o seu futuro no pequeno e grande ecrã, tendo em conta que já revela tantas capacidades apesar da tenra idade.

13. Melhor Regresso: Ewan McGregor, Fargo

fargo-season-3-reviews-ewan-mcgregor-620x360.jpg

 

Longe vai o tempo em que Ewan McGregor era apenas um jovem escocês em busca do sonho prometido. Depois do sucesso de «Trainspotting» (1996), cuja sequela chegou aos cinemas este ano, o ator viu a sua carreira evoluir graças a filmes como «Moulin Rouge!» (2001) e o «Grande Peixe» (2003) e tornou-se uma estrela mundial com a interpretação de Obi-Wan Kenobi na segunda trilogia de Star Wars. Nunca tinha tido, até «Fargo», uma participação numa série acima dos seis episódios; e, entre um episódio de «Serviço de Urgência» em 97 e «Doll & Em», onde teve um arco de dois episódios em 2015, que o ator não somou qualquer crédito em televisão. Regressou em 2017, pela mão de Noah Hawley, e os seriólicos agradeceram.

 

Em dose dupla, Ewan McGregor teve um dos desafios mais difíceis já apresentados por «Fargo» - interpretar gémeos -, e respondeu com firmeza e determinação. Com uma história mais próxima (temporalmente) do que as anteriores, a série inspirada pelo filme dos irmãos Cohen voltou a inovar e a surpreender. O argumento aparentemente simples é um efeito 'enganador' que nos distrai da espetacularidade visual que habita o universo de «Fargo» e que, por diversas vezes, esconde as respostas. Muito requisitado por Hollywood e não só, resta saber se há margem (e calendário) para Ewan assumir um lugar de maior destaque no pequeno ecrã. A sua representação em camadas, apostada sobretudo na humanização dos personagens que interpreta, o que os torna mais reais para nós, não tem grandes efeitos e truques emotivos, mas também por isso é tão especial. Conquista na sua simplicidade cuidada.

 

Review aqui.