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Androids & Demogorgons

TV KILLED THE CINEMA STAR

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Aluga-se Blog #6 - 1 Razão Porque «The Good Place» é Forking Worth It, por Marisa

Marisa nasceu nos anos 80 e desenvolve ligações emocionais com personagens ficcionadas da televisão. O que, na prática, significa que já chorou horrores com Alf, McGyver, Alex P. Keaton, a tripulação do Love Boat ou com as maravilhosas Golden Girls. Continuou a tradição ao longo dos anos 90 e, mesmo sendo fã incondicional de X-Files, foi com The Pretender que se tornou uma seriólica. Ainda não superou o final genial de Six Feet Under nem o final abrupto de Pushing Daisies. É que isto do bounding com a televisão tem os seus momentos críticos… e ninguém nos prepara para o adeus (ou para a cabeça decepada do Ned Stark).

 

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Não gosto de séries de comédia. Pronto, admito-o. Ou melhor, gosto, mas nada que me prenda a longas maratonas. Vejo The Big Bang Theory ou Modern Family uns quantos episódios – a maioria deles por zapping ocasional -, mas rapidamente me esqueço da sua existência. Falta-me o drama, a storyline contínua de episódio para episódio, o plot twist no final de um episódio que me faz roer as unhas até ao episódio seguinte. Há exceções a confirmar a regra, claro, mas não caiam no erro de me recomendar séries de comédia. Há 95% de probabilidade de não correr bem.

 

 

Até que The Good Place aconteceu. Ironicamente, por uma recomendação de dois amigos. Resolvi tentar e dar-lhe uma chance, mas nem sei por que razão. A Veronica Mars de Kristen Bell passou-me ao lado e não vejo o Ted Danson desde o Cheers, Aquele Bar (adoro-o desde então, mas não sigo a sua carreira atentamente). Mas pronto, a melancolia dos serões de preguiça levou a melhor e dei por mim a ligar a Netflix para espreitar afinal, o que era isto.

 

A premissa, para os mais distraídos, é simples: Eleanor (Kristen Bell) morre e vai parar a uma espécie de paraíso (the good place, lá está), mas rapidamente descobre que lá está por engano. Uma outra Eleanor, de grandes causas humanitárias e feitos inigualáveis pela humanidade, deveria lá estar. E, portanto, a Eleanor 1 estaria destinada ao Bad Place, porém um grande erro cósmico deu-lhe a sorte da vida dela… ou melhor, da morte dela. Portanto, a temporada 1 acompanha as suas tentativas, mais ou menos bem-sucedidas, de permanecer num lugar a que não pertence, repleto de iogurte gelado, onde há uma Siri de figura humana (que dá pelo nome de Janet) e a impossibilidade de dizer palavrões (Eleanor bem tenta dizer 'fuck', mas só sai 'fork').

 

 

Do aparente humor tonto e inconsequente, The Good Place chega a caminhos ambiciosos. Há uma reflexão comum (o que é, exatamente, o bem e o mal?) e breves passagens pela história da filosofia e da ética humana. E funciona. Sem ser aborrecido, nem despropositado. E, sobretudo, sem quebrar o humor da série. Muito pelo contrário, é o combustível que a alimenta.

 

Mas prometi-vos uma única razão para ver The Good Place e já me estou a alongar. É simples: Ted Danson. O sweetheart da América ganhou cabelo branco e tentou uma incursão nos CSIs desta vida, mas a comédia é verdadeiramente a praia dele. The Good Place deve-lhe muita coisa – eu diria espontaneidade, alma e timing cómico -, apesar de Ted insistir, em entrevistas, que só o chamam para estas coisas para servir como o contrapeso sénior que mostra como as outras personagens são jovens.

 

 

Em The Good Place, Ted é Michael, o arquiteto do "bairro" celestial onde Eleanor vai parar. Com o seu laço ao pescoço, ele ganha cada cena com o ar tosco, despistado e, simplesmente, adorável. Mas não só…

 

[atenção: spoilers do final da primeira temporada de The Good Place]

 

É de Ted Danson a responsabilidade pelo maravilhoso twist do final da primeira season de The Good Place (a par, lá está, da mente brilhante de Michael Shur, que também criou séries como Parks and Recreation e Brooklyn Nine-Nine). Perante a revelação de que o Good Place onde Eleanor está é, afinal, um Bad Place criado especificamente para a torturar, tudo ganha sentido e gargalhadas com a interpretação de Ted. E o choque é, ainda maior, por ser protagonizado por ele: como é que uma personagem tão fofinha é, afinal, um demónio sem coração? 

 

 

O twist é assinalado, na série, por uma gargalhada demoníaca de Michael. Uma gargalhada tão maléfica que tem ADN de todos os vilões Disney, misturado com os vilões de contos de fada. Poderia ser exagerada, cair para uma caricatura, ou ficar aquém do twist que vira a história do avesso em The Good Place. Mas não: é simplesmente genial – é a gargalhada maléfica que sempre quisemos ouvir, no momento certo e na pessoa certa. Nunca imaginaríamos que o Sam de Cheers teria aquela gargalhada em si. Ainda bem que tem. E, por isso mesmo, se as razões para ver The Good Place se resumissem a só uma, talvez não fosse bem Ted Danson essa única razão. Eu apontaria mais para… a gargalhada de Ted Danson. Imperdível

 

 

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