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Androids & Demogorgons

TV KILLED THE CINEMA STAR

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A Minha Série Favorita Vai Acabar. E Agora?

Ninguém nos prepara para isto: daqui a algumas horas vou despedir-me da minha série favorita. Das pessoas, das histórias e dos espaços que, sem aviso prévio ou autorização, entraram na minha vida e, por minha influência direta, na vida dos meus amigos e familiares. «Orphan Black» chega ao fim, 50 episódios depois. Há um antes e um depois de Tatiana Maslany - para mim e, quando olharmos em retrospetiva daqui a vários anos, para a televisão. Guardem o Globo de Ouro e o Emmy num local confortável, no próximo ano ela vai lá buscá-los. Devemos-lhe isso.

 

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"Tens de ver Orphan Black". Perdi a conta às vezes que repeti esta frase a amigos e familiares. E, apesar da desconfiança inicial, fui vencendo cada um deles pelo cansaço. A Tatiana Maslany fazia o resto. Com mil e uma peles, qual autoridade mágica de um conto de fadas explosivo, a atriz ia-se multiplicando em clones e, no seu truque descarado e à vista desarmada, levava-me a esquecer que era sempre ela por detrás de todas aquelas personagens. Ainda hoje não tenho qualquer dúvida de que, sem ela, «Orphan Black» estava condenada à extinção. Afinal de contas, ela foi o melhor efeito visual da série.

 

De underdog a série de créditos firmados não foi um passo. «Orphan Black» surgiu do humilde BBC America e, com um elenco de desconhecidos, evidenciou-se à custa do suor de Tatiana Maslany. Tudo começou com a nomeação da atriz para os Globos de Ouro - quem era aquela desconhecida entre a elite da televisão? - e a chegada da série à Netflix, o que potenciou a chegada a novos públicos. Já os Emmys ignoraram-na até não conseguirem mais e, depois de campanhas dos fãs (e críticos), a Tatiana acabou por ir buscar o que lhe era devido na cerimónia de 2016. Com a quinta temporada a estrear apenas em junho - só são considerados conteúdos lançados entre 1 de junho de 2016 e 31 de maio de 2017 -, a atriz fica afastada do "bis". Fica a esperança de que a sua brilhante performance não seja esquecida em 12 meses.

 

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Este não é um guia sobre como tornar as despedidas mais fáceis. Por mais que Graeme Manson e John Fawcett, os criadores de «Orphan Black», tenham dito que a série estava pensada para cinco temporadas, eu não estava preparada. Mas também duvido da minha capacidade para resistir a mais sustos relacionados com Sarah Manning ou Cosima Niehaus, ou ver testada a minha confiança  em Rachel Duncan. Para os outros Castor é apenas um animal, mas para nós é bem mais do que isso - se bem que apenas vestirei a camisola das irmãs LEDA. Foi uma longa e extenuante viagem, ao comando de uma protagonista que só pode ser extraterrestre e de argumentistas que são verdadeiros mestres de tortura.

 

Não voltarei a ver televisão da mesma maneira, é um facto. "Ah, a atriz é boa, mas não chega aos calcanhares da Tatiana". Preparem-se para me ouvir repetir isso até à exaustão. Tudo porque não fui ensinada a suportar despedidas. Para os leigos, isto certamente não fará sentido, mas os "seriólicos" sabem que é mais fácil encontrar um novo amigo do que uma série que nos marque - a não ser que o vício já os tenha remetido ao isolamento. Além disso, quando a mãe dos clones aparecer numa série ou filme - «Stronger» está quase aí - vou estar sempre à espera que surja uma irmã gémea afastada (ou um clone).